V Jornada de Literatura e Autoritarismo
e
Simpósio Memórias da Repressão

RESUMO DAS COMUNICAÇÕES


Clique sobre o título e veja o resumo.


A ANIQUILAÇÃO DO CIVILIZADO NO “CORAÇÃO DAS TREVAS”, DE JOSEPH CONRAD

A CONSTRUÇÃO E CONSTITUIÇÃO DA IDENTIDADE FEMININA EM TEXTOS LITERÁRIOS

A FIGURA DE LA LLORONA EM "WOMAN HOLLERING CREEK"

A LUTA PELOS DIREITOS CIVIS E A IDENTIFICAÇÃO COM O LIVRO NEGRAS RAÍZES

A POESIA SEM ESTRELA DE ZUCA SARDAN

A RELAÇÃO FÁBULA HISTÓRIA E CULTURA EM "O CONTINENTE"

A REPRESENTAÇÃO DO ANTI-HERÓI NA OBRA VIDAS SECAS

A REPRESENTAÇÃO DO NEGRO NA SOCIEDADE DE ONTEM E DE HOJE: MEMÓRIAS DE UM CATIVEIRO

A REPRESENTAÇÃO FICCIONAL DO PROCESSO DE DEGRADAÇÃO DOS ÍNDIOS GUARANIS

AS IMPUREZAS DA DITADURA MILITAR

AS NAUS: A HISTÓRIA DESCONSTRUÍDA NA FICÇÃO

AUTORITARISMO E QUESTÃO DE GÊNERO NA CRÔNICA SANTA-MARIENSE

CONTRACULTURA, MOVIMENTO ECOLOGISTA E CAIO FERNANDO ABREU

CORPUS – A VIDA POLÍTICA

DRUMMOND E WILLYS: A MEMÓRIA DA "INFÂNCIA"

ENTRE A SEXUALIDADE E O CONTO DE FADAS: UM ESTUDO DE DUAS VERSÕES DE CHAPEUZINHO

ENTRE “O CAPOTE” E “TOTALIDADE E INFINITO”: UM ESTUDO FILOSÓFICO-BIOGRÁFICO DE EMMANUEL LÉVINAS, ETICAMENTE INQUIETO NO NÓ DE TRÊS LÍNGUAS.

GÊNEROS TEXTUAIS QUE PROPICIAM A PARTICIPAÇÃO SOCIAL DAS MINORIAS,

HISTÓRIA É TEMPO, TEMPO É VIDA

HISTÓRIA, LITERATURA E DITADURA: O CASO JOÃO PAZ EM INCIDENTE EM ANTARES - DANIELA FREITAS TORRES

LEITURA DE IMAGENS DOS LIVROS DIDÁTICOS: O PROBLEMA DO PRECONCEITO NA ESCOLA

LOS GEMELOS DEL POPOL VUH Y LOS DE ÁFRICA: LOS SERES ESPECIALES

O ESTADO E A FAMÍLIA EM "A CASA DE BERNARADA ALBA"

O FILHO A CASA TORNA, MAS, QUE CASA?

"O GATO MALHADO E A ANDORINHA SINHÁ - UMA HISTÓRIA DE AMOR": A CRÍTICA SOCIAL DE JORGE AMADO EM UMA OBRA INFANTO-JUVENIL

O MAPA DE QUINTANA - UMA POÉTICA DA MEMÓRIA

O QUE É ISSO, COMPANHEIRO? MEMÓRIA, IDENTIDADE E DITADURA MILITAR

O RESGATE DO NARRADOR

O TESTEMUNHO DE PRIMO LEVI EM "É ISTO UM HOMEM?"

O UNIVERSO FEMININO

OS "DIÁRIOS DE GUERRA" DE JEAN-PAUL SARTRE

POSSÍVEIS REPRESENTAÇÕES DE SUBMISSÃO FEMININA NA OBRA "BODAS DE SANGRE" DE FEDERICO GARCIA LORCA

UM OLHAR FANTÁSTICO SOBRE O CENTAURO NO JARDIM

UM PACTO COM A SANTA, OU AUTENTICAÇÕES DEMONÍACAS NO ROMANCE DE EVA PERÓN?


A ANIQUILAÇÃO DO CIVILIZADO NO “CORAÇÃO DAS TREVAS”, DE JOSEPH CONRAD


Autor: ENÉIAS FARIAS TAVARES - Bolsista CAPES (eneiastavares@gmail.com)
Orientador: Prof. Dr. LAWRENCE FLORES PEREIRA

Palavras Chaves: Imperialismo, cultura, Joseph Conrad

Num período cultural em que todas as verdades e superioridades sociais estão se desestabilizando, algumas até mesmo desaparecendo, o texto literário continua a representar refletindo sobre essas modificações no decorrer do tempo. Pensando o enfrentamento entre o objeto colonizador e sua relação/reação com o dominado, especialmente no cenário do século XIX, encontramos no romance de Joseph Conrad, "O Coração das Trevas", um corpus literário riquíssimo no qual esse trabalho visa concentrar sua análise. Essa identifica na descritiva do narrador/personagem Marlow, no papel do explorador inglês que adentra o continente africano inóspito, selvagem e desconhecido em busca de marfim e do resgate de seu antecessor, Kurtz. Se concordarmos com a afirmação de Edward Said, em "Cultura e Imperialismo", de que o Oriente se cria a partir do Ocidente, em Conrad percebemos como essa criação ocorre na medida em que o processo civilizatório é brutal e enlouquecedor. A análise proposta nesse ensaio não visa definir por meio de uma obra literária conceitos como de Nação, Cultura ou Identidade Social, conceitos já compreendidos como amplos e mutáveis e impossíveis de serem unitariamente definidos. Antes, o que propomos é um diálogo entre a análise que o teórico pós-colonialista Edward Said faz do processo de colonização e uma representação literária que argumenta positiva/negativamente ao descrever os processos dominadores conhecidos como civilizatório.


A CONSTRUÇÃO E CONSTITUIÇÃO DA IDENTIDADE FEMININA EM TEXTOS LITERÁRIOS


Autor: ANA QUELI TORMES MACHADO - Bolsista PIBIQ/CNPq (anakueli@yahoo.com.br)
Orientador: Profª Dr. VERA LÚCIA PIRES

Palavras Chaves: Identidade feminina, relação de poder, texto literário

O gênero social é um dos principais temas debatidos na modernidade tardia. Esse período apresenta um quadro de bruscas transformações nas estruturas e nos processos da sociedade contemporânea. Tais transformações abalam os sentidos de referência que permitiam ao indivíduo uma âncora estável. Assim, é relevante examinar as mudanças no que diz respeito às relações de gênero social e capturar as vozes femininas que se posicionam e são posicionadas em meio a tais mudanças. Para isso, iremos analisar como a mulher, presente nos contos, do livro “Laços de Família”, de Clarice Lispector, constitui relações de poder e atravessam as práticas discursivas afetando a construção das identidades femininas. Pretendemos apresentar um olhar crítico sobre as relações assimétricas entre os gêneros sociais e sobre o papel da linguagem na construção dessas relações, tanto em termos de sua reprodução como de sua transformação. Explorando aqui à linguagem vinculada à ideologia, ao poder. Em outras palavras, lidando com a linguagem que pode ser usada para o enfraquecimento do outro ou, quando se tem consciência disso, como meio de resistência e emancipação. Para tanto, recorremos aos pressupostos teórico-metodológicos da Análise do Discurso. Iremos nos apoiar nos trabalhos de Bakhtin (1997) e em estudos de gênero social, Oliveira (1993).


A FIGURA DE LA LLORONA EM "WOMAN HOLLERING CREEK"


Autor: ADRIANA MACEDO NADAL MACIEL (adrimacnm@brturbo.com.br)
Orientador: Profª Dr. VERA LÚCIA LENZ VIANNA

Palavras Chaves: Llorona, destruição, resistência

No folclore mexicano, há a lenda de La Llorona, que emerge como uma figura de traição maternal. Freqüentemente associada à destruição, ela ganha uma nova visada através do olhar de Sandra Cisneros, que em "Woman hollering creek" apresenta uma Llorona que luta contra a violência do marido e busca sua independência econômica e emocional. Mesmo sem claramente invocar esse antecedente da época colonial na obra, a autora faz referências implícitas a ela, e sua heroína Llorona passa por um processo de transformação, onde ameaças de destruição passam a ser atos de resistência.


A LUTA PELOS DIREITOS CIVIS E A IDENTIFICAÇÃO COM O LIVRO NEGRAS RAÍZES


Autor: ANDERSON CAETANO DOS SANTOS - Bolsista PROBIC (andersoncaetanodossantos@bol.com.br)
Orientador: Prof. RODRIGO JAPPE

Palavras Chaves: Negras raízes, luta pelos direitos civis, negro

O objetivo deste trabalho vinculado ao PROBIC (Projeto de Iniciação Cientifica) da UNIFRA (Centro Universitário Franciscano) de Santa Maria, Rio Grande do Sul, é pesquisar sobre a construção da identidade negra e aceitação do eu negro no período da luta Pelos Direitos Civis nos Estados Unidos, período de 1950 e 1960. Relacionar isso com o livro “Negras Raízes” de Alex Haley, o qual aborda um resgate histórico da saga negra desde o ano de 1750, com o nascimento do africano Kunta Kinte no norte da Gâmbia, sua travessia no Oceano Atlântico e a chegada em terras norte-americanas. A metodologia adotada foi baseada na leitura de “Negras Raízes” na íntegra, análise de livros teóricos relacionados e artigos científicos. Com a justificativa de que, para que seja compreendida a luta pelos Direitos Civis, deve-se ter conhecimento de todo o processo da história/literatura negra americana, com a finalidade de interpretar esse contexto dos anos 50 e 60. Conclua-se que o sujeito pós-moderno, nas classes inferiorizadas e periféricas (negros, gays), uniram-se e agiram coletivamente, trocando sua concepção do uno para o coletivo, manifestaram-se em prol dos direitos igualitários perante à lei. Dessa forma “Negras Raízes” fez o resgate histórico/literário e facilita a compreensão do porque o movimento dos Direitos Civis aconteceu.


A POESIA SEM ESTRELA DE ZUCA SARDAN


Autor: DEISE DAIANA GUGELER BAZANELLA (deisegugeler@yahoo.com.br)
Orientador: Profª Dr. TERESA CABAÑAS MAYORAL

Palavras Chaves: Zuca Sardan, antipoesia, poesia marginal

Este trabalho pretende investigar a obra “Ás de Colete”, do poeta brasileiro Zuca Sardan, em relação ao contexto da produção literária marginal dos anos 70. São analisados os elementos que conferem um caráter anti-poético ao texto, tais como o tom prosaico de uma linguagem que abrange as formas de interlocução cotidiana no intuito de tornar-se amplamente comunicável, a presença de imagens e temas tradicionalmente expulsos pela concepção poética tradicional e o elemento visual, relativo aos desenhos que acompanham os poemas. A fundamentação teórica recorre a Michael Hamburger (1991) no intuito de compreender o anti-poético como característica significativa de parte da produção poética posterior à Segunda Guerra Mundial, no seu diálogo com a arte de Vanguarda. Octavio Paz (1993) é o autor indispensável para o entendimento da ruptura a que a poesia de Zuca Sardan se propõe, reafirmando a tradição da poesia ocidental de, a partir da Modernidade, experimentar o novo. A discussão do poeta Glauco Mattoso (1981) em relação à literatura marginal contribui para o entendimento do contexto histórico e social de existência dessa poesia “sem estrela”, isto é, que abdicou da noção de transcendência sem, contudo, deixar de ser poesia. Essa confluência de idéias possibilita apreciar a poesia de Zuca Sardan na sua pluralidade de significação e situá-la no panorama mais abrangente das manifestações poéticas esteticamente filiadas aos ideais vanguardistas.


A RELAÇÃO FÁBULA HISTÓRIA E CULTURA EM "O CONTINENTE"


Autor: ALINE VENTURINI (lineventu@yahoo.com.br)
Orientador: PROF. DR. PEDRO BRUM SANTOS

Palavras Chaves: História, fábula, cultura, ideologia

"O Continente", primeira parte da trilogia "O Tempo e o Vento", de Erico Verissimo, narra o início da formação do território e do povo do Rio Grande do Sul sob a perspectiva de uma família fictícia: os Terras-Cambarás. O objetivo do trabalho é buscar o funcionamento da dinâmica dos personagens protagonistas na história e a forma de representação na formação da cultura, os mecanismos ideológicos atuantes na vida individual desses personagens. Investigamos a trajetória da árvore genealógica da família, cujos protagonistas envolvem-se em um contexto histórico específico. O modo de encarar e de viver esses episódios da história é influenciado pela cultura e suas rupturas sucessivas, causadas por qualquer membro novo que se integre à família Terra-Cambará. Ela divide-se em três linhagens: Terra, Cambará e Terra-Cambará. Na primeira, prevalecem os valores da agricultura e a guerra não é valorizada. Na segunda, com a entrada de um novo membro - Capitão Rodrigo - o código guerreiro passa a vigorar. Já na terceira, os integrantes da família buscam conciliar os valores guerreiros e aqueles valores nos quais acreditam, identificados pelo narrador como "valores autênticos". Dessa forma, a trajetória da família se permeia em dois códigos de valores, verbalizados por cada gênero: código cultural patriarcal, relacionado aos homens, identificado como o portador dos valores transitórios; e o código matriarcal, relacionado às mulheres, portador dos autênticos.


A REPRESENTAÇÃO DO ANTI-HERÓI NA OBRA VIDAS SECAS


Autor: VANESSA STREB (vanessinha@imc.br)
Orientador: ANDRÉIA REGINATO

Palavras Chaves: Vidas Secas, Fabiano, anti-herói

A partir da visão de críticos e a análise do livro Vidas Secas é possível perceber que a distorção climática existente na região nordeste do nosso país interfere muito na condição de vida das pessoas, principalmente dos menos favorecidos. Graciliano Ramos, conseguiu, com o uso de palavras duras, mostrar o quanto o nordestino é afetado, tanto na vida social quanto familiar, com a estiagem. Não é exagero do autor compará-los a bichos. Muitas pessoas que habitam essa região vivem, ainda hoje, em condições precárias, assim como os personagens do livro que buscam a sobrevivência, impedidos de ansiar por sentimentos maiores que a necessidade de suprir o estômago. Como Fabiano, existem muitos que são excluídos da sociedade por não satisfazer os critérios por ela impostos. A transgressão desses códigos perante a sociedade o transforma em um anti-herói. É quando, o herói, em vez de se conformar com os paradigmas expostos pela comunidade, aparece em conflito com esses, valorizando o que a norma social rejeita e reprime. Fabiano é pobre e vive como um animal. Não sabe falar direito, não tem renda fixa e os filhos não freqüentam a escola. Ele é um anti-herói no romance, onde o poder está nas mãos do “dono” e do “soldado amarelo”. O próprio, quando exclama: “Fabiano, você é um homem” e quando se corrige: “Você é um bicho, Fabiano”; coloca-se na posição de anti-herói, uma vez que os padrões impostos pela sociedade em que vive são inversos.


A REPRESENTAÇÃO DO NEGRO NA SOCIEDADE DE ONTEM E DE HOJE: MEMÓRIAS DE UM CATIVEIRO


Autor: VALDIRENE DE FATIMA MARTINS LEAL (valmleal@gmail.com)
Co-Autor: GUILHERME DA SILVA DOS SANTOS
Orientador: Profª Ms. SUSANA IRION DALCOL

Palavras Chaves: O Mulato, Aluizio Azevedo, preconceito racial

Vivemos em um país onde as desigualdades são muitas: sociais, de classe, educacional, entre outras. Para somar-se, ainda, sofremos com o pecado do preconceito. Este, em especial o preconceito racial, vem de uma longa e triste história que deixou uma mancha em nossa pátria. Mesmo depois da abolição da escravatura, os negros no Brasil ainda são vitimas de muitos descasos. Aluízio Azevedo, com a publicação de “O Mulato”, em 1881, inaugura o naturalismo na literatura brasileira e faz uma forte critica anti-racista da sociedade provinciana do estado do Maranhão. Assim, este trabalho possui por finalidade demonstrar e discutir na referida obra, fragmentos nos quais o autor evidencia o descaso e humilhação que os negros, não só no Maranhão, e sim em todo o Brasil, sofrem.


A REPRESENTAÇÃO FICCIONAL DO PROCESSO DE DEGRADAÇÃO DOS ÍNDIOS GUARANIS


Autor: AGNES HÜBSCHER - Bolsista CAPES (agneshdinisd@yahoo.com.br)
Orientador: Prof. Dr. PEDRO BRUM DOS SANTOS

Palavras Chaves: Índios, historia, literatura

O ano de 2006 nos faz lembrar a morte de Sepé Tiaraju e o massacre de Caibaté que praticamente dizimou os índios guaranis. Depois de dois séculos e meio, esse povo continua lutando por seus direitos de uma vida mais digna e apropriação de terras. Existem fatos e números que, embora sejam pouco divulgados, revelam a violência cometida contra este grupo minoritário. Partindo de algumas premissas históricas como as barbáries cometidas pelos bandeirantes para escravizar os índios e a guerra guaranítica, procuramos verificar o modo de representação desse povo e a função que ocupam nos meios literários. Para tanto, destacamos os personagens Pedro Missioneiro e Francisco Abiaru de "O Continente I" e "Breviário das Terras do Brasil", respectivamente. A partir do confronto entre essas duas obras e a relação entre história e literatura, nosso objetivo é destacar alguns elementos simbólicos que caracterizam os personagens. Além disso, queremos verificar como os autores em questão procuram representar ficcionalmente, o processo de degradação sofrido pelo povo indígena, especificamente o guarani, uma vez que o índio sempre foi vítima, integrante de um grupo minoritário.


AS IMPUREZAS DA DITADURA MILITAR


Autor: Profª CARLA CRISTIANE MARTINS VIANNA (ccmvianna@terra.com.br)
Orientador: Prof. Dr. HOMERO VIZEU ARAÚJO

Palavras Chaves: Poesia, Ditadura, Cerceamento

As impurezas da ditadura militar Carlos Drummond de Andrade foi o poeta de “A rosa do povo” (1945), livro de versos compostos no calor da ditadura getulista e da Segunda Guerra Mundial. Neste livro, Drummond conseguiu tratar de temáticas sociais sem cair na vala comum do texto panfletário. Assim como para o artista não é tarefa fácil fugir da arte panfletária, para o crítico, também é complicado fugir da armadilha de tratar como documento um texto quando o seu olhar crítico pretende considerar o contexto social de uma obra literária. No ensaio O mundo refeito e desfeito, Antonio Candido parece apontar um caminho a ser seguido pelos críticos quando o intento é tratar de Literatura e matéria social. A “análise do universo próprio da obra literária” e da relação deste universo com as “motivações exteriores” será o caminho percorrido neste trabalho de discussão sobre “As impurezas do branco” (1973). Ou seja, serão analisados os poemas em que é possível enxergarmos a marcante presença da ditadura militar, que neles não aparece como mero pano de fundo, mas como fator essencialmente determinante. Além da capacidade de enunciação dos problemas da matéria brasileira, o poeta gauche também era mestre em tratar de temáticas universais. Neste livro, ele continua poetizando o amor, a morte, a melancolia, no entanto é a revolta, a tristeza e o medo que percorrem os versos e roubam a cena. Enfim, esta é uma obra em que um eu-lírico irônico dá voz ao canto participante de Drummond


AS NAUS: A HISTÓRIA DESCONSTRUÍDA NA FICÇÃO


Autor: TATIANE FLORES JARDIM (tatiane.jardim@imc.br)
Co-Autor: DIONES JARDIM CORNELIO
Orientador: Profª Ms. SUSANA IRION DALCOL

Palavras Chaves: As Naus, ficção, Lobo Antunes

As Naus: a história desconstruída na ficção Muitos autores portugueses contemporâneos vêm utilizando como pano de fundo a Revolução de 74, momento importante para Portugal. Lobo Antunes é um deles e utilizou sua experiência na Guerra Civil para escrever seus romances. Uma dessas obras é As Naus, que será objeto desse estudo. Sendo assim, este trabalho busca analisar como a obra ficcional enfoca a história de Portugal, através de personagens míticos que são motivos de paródia em As Naus.


AUTORITARISMO E QUESTÃO DE GÊNERO NA CRÔNICA SANTA-MARIENSE


Autor: JOICENARA BALDONI DA SILVEIRA - Bolsista Proadis (inara@unifra.br)
Orientador: INARA DE OLIVEIRA RODRIGUES

Palavras Chaves: Crônica, história/ficção, gênero feminino

No presente trabalho, apresentam-se os resultados parciais do projeto de pesquisa “A problematização da história e a questão do gênero: molduras críticas da crônica”, que consiste em aprofundar as análises crítico-teóricas sobre a crônica a partir da problematização das relações entre História/Ficção, bem como da questão do gênero. A partir da fundamentação teórica, assentada, entre outros, em textos teóricos vinculados à sociologia da literatura, bem como em diferentes posicionamentos críticos sobre a questão do gênero, são analisadas duas crônicas intituladas,“Existem cães e cães. E cães”, de Waldyr Aita Mozzaquatro e “Pílula à luz da oração”, de Humberto Gabbi Zanatta, publicadas no jornal A Razão, de Santa Maria, no período da ditadura militar. Os resultados finais consistirão num resgate crítico da cronística santa-mariense inserida na época do regime militar no Brasil, procurando-se problematizar, nessas narrativas, respectivamente, o diálogo que se estabelece com o contexto histórico e como se efetiva a representação do feminino.


CONTRACULTURA, MOVIMENTO ECOLOGISTA E CAIO FERNANDO ABREU


Autor: ANA PAULA CANTARELLI (aninha@mail.ufsm.br)
Orientador: ANA MARIA THIELEN MERCK

Palavras Chaves: Contracultura, Movimento Ecologista

Neste trabalho a Contracultura é tomada a partir de sua definição básica de cultura minoritária caracterizada por um conjunto de valores e padrões de comportamento que contradizem os da sociedade dominante, historicamente ligada aos valores da geração jovem americana dos anos 60/70 que se revoltaram contra as instituições culturais dominantes de uma sociedade afluente, otimista e confiante. Os anos 60/70 são definidos como um momento em que a expansão do capitalismo global produziu simultaneamente uma imensa liberação de energias sociais, e, é neste contexto que, os Movimentos Ecológicos são entendidos como movimentos coletivos que denunciaram os riscos e impactos ambientais do modo de vida moderno e compartilhavam de um ideário de mudança social e existencial, tendo como horizonte utópico uma vida livre das normatizações e repressões sociais. Assim, tendo como ponto de partida o conto “Pela passagem de uma grande dor”, de Caio Fernando Abreu, pertencente ao livro “Morangos Mofados”, buscou-se realizar uma associação do referido autor aos Movimentos de Contracultura, e mais especificamente ao Movimento Ecologista. Publicado originalmente em 1982, período este (década de 1980) caracterizado pela abertura política, início do processo de democratização do país e pela discussão da liberdade, de valores morais e da emancipação feminina, traz ainda muito nítida as discussões das duas décadas anteriores, apresentando a crise da contracultura como um projeto existencial e político.


CORPUS – A VIDA POLÍTICA


Autor: FLÁVIA L. B. CERA - Bolsista CNPq (flaviabc@gmail.com)
Orientador: Prof. Dr. CARLOS EDUARDO S. CAPELA

Palavras Chaves: Literatura marginal, corpo, política

O último livro de Ferréz, “Ninguém é inocente em São Paulo”, reabre a discussão sobre culpados e inocentes. Discussão que remete a leitura que Giorgio Agamben fez da zona cinza de Primo Levi em “O que resta de Auschwitz”. O filósofo refere-se a esta zona cinza como uma zona de irresponsabilidade, onde há indistinção entre vítimas e carrascos: o opressor vira oprimido e oprimido vira opressor. Esta zona nebulosa não diferencia exceção e regra, é o espaço propício para o permanente Estado de exceção em que vivemos. Não por acaso encontrarmos no livro referido de Ferréz um conto com o título “Terminal (Nazista)” no qual não conseguimos saber com precisão se se trata de um terminal de ônibus ou de um campo de concentração nazista: “eu tentava olhar diretamente para olhos, os que não tinham cabeças muito baixas não tinham globos oculares”. Resta-nos, então, procurar uma saída ética e, portanto, política, para derrotar a constante tentativa de naturalização do inumano, do horror e da catástrofe. Agamben aponta para a profanação e Jean-Luc Nancy insiste no tema do contato: duas formas que colocam o corpo no centro das atenções políticas. Políticas que não devem ser fundadas na politização da vida nua, que só faz manter a relação do bando soberano, ou seja, permite a captura e abandono, a inclusão-exclusiva, mas sim políticas fundadas na potência política contida no cerne da vida nua, porque esta vida é a própria política e tem como objetivo a busca da felicidade.


DRUMMOND E WILLYS: A MEMÓRIA DA "INFÂNCIA"


Autor: ANGELISE FAGUNDES DA SILVA (angelisef@via-rs.net)
Co-Autor: MIRNA LEISI COELHO LOPES
Orientador: JANE TUTIKIAN

Palavras Chaves: Memória, poesia, crônica, Drummond, Wyllys

A memória enquanto capacidade de resgatar o passado tem sido assunto para inúmeros trabalhos tanto na área da história quanto na área da literatura, dentre outras. O culto à memória é um tema bastante recorrente na literatura brasileira, em prosa e em verso. Dessa forma, este trabalho tem como objetivo analisar como o passado se manifesta no poema “Infância”, de Carlos Drummond de Andrade, e na crônica “Infância”, de Jean Wyllys, buscando, dentro de uma visão comparatista, relacionar os textos tematologicamente.


ENTRE A SEXUALIDADE E O CONTO DE FADAS: UM ESTUDO DE DUAS VERSÕES DE CHAPEUZINHO


Autor: EVANIZE SCAPIN CARGNIN (magalirrb@yahoo.com.br)
Co-Autor: RAQUEL RAMOS DE BARCELLOS
                  ELISANE SCAPIN CARGNIN
Orientador: ANDRÉA REGINATTO

Palavras Chaves: Fascínio, sexualidade, realidade

O presente trabalho tem como tema uma abordagem comparativa entre o texto "Chapeuzinho Vermelho" tradicional e sua versão "Chapeuzinho Vermelho de Raiva", escrito por Mário Prata. O objetivo é analisar os personagens e a temática, a partir da psicanálise dos contos de fadas de Bruno Bettelhiem. Assim, busca-se enfocar os elementos para verificar as diferenças e a sua importância para o crescimento mental das crianças, em relação à fantasia e à realidade. Com o estudo, pôde-se observar as situações, nas quais aparecem os temas referentes à sexualidade, à ingenuidade, ao fascínio e à realidade social, considerando as duas versões estudadas


ENTRE “O CAPOTE” E “TOTALIDADE E INFINITO”: UM ESTUDO FILOSÓFICO-BIOGRÁFICO DE EMMANUEL LÉVINAS, ETICAMENTE INQUIETO NO NÓ DE TRÊS LÍNGUAS.


Autor: CRISTIANO CEREZER - Bolsista FAPERGS (cristianocerezer@gmail.com)
Orientador: MARCELO FABRI

Palavras Chaves: Totalidade, violência, infinito, ética

Polêmico e desafiador, Emmanuel Lévinas é um escritor e filósofo franco-lituano judeu que desde cedo vivenciou o trauma da guerra e da perseguição. Assombrado pela revolução Russa, e, posteriormente, pelo nazismo trucidante, inquietou-se com a desumanidade e crueldade de um "horror totalitário" que calava vozes e absorvia os sujeitos no "anonimato" de um murmúrio de rostos desfigurados. Construiu o itinerário de seu pensamento e crítica na convergência de três línguas_ o russo, o francês e o hebraico_ que lhe forneceram categorias filosóficas de riqueza espiritual e significação peculiar para engendrar uma virada ética e meta-fenomenológica de todo o edifício teórico ocidental. Influenciado por obras como "O Capote" (N. Gogol), "A Morte de Ivan Ilitch" (L. Tolstói), "Os Cemitério Marinho" (P. Valéry), além do "Talmude", uniu tal psicosfera literária com profundas leituras de Husserl, Heidegger, Nietzsche, Bergson e Platão. Disto nasceu “Totalidade e Infinito” obra na qual se propôs mostrar, mediante o método fenomenológico, que a ética é a dimensão fundante do humano para-além de qualquer ontologia viciante ou tirania neutralizadora. Sugeriu uma estética da "proximidade" e da "vulnerabilidade" para daí substituir os jogos políticos por uma sociabilidade enquanto interrelação de entes humanos singulares e falantes.


GÊNEROS TEXTUAIS QUE PROPICIAM A PARTICIPAÇÃO SOCIAL DAS MINORIAS


Autor: EDINEIA CHAVES FRANZ - Bolsista PROLICEN (edineia.letr@gmail.com)
Co-Autor: ALINE GIOVANA FLACH
Orientador: Profª Dr. VERA LÚCIA PIRES

Palavras Chaves: Linguagem, gênero textual, cidadão

Desde a sua gênese, a humanidade tem como mister efetuar relações, expressar sentimentos e sensações, estes atos se estabelecem através da linguagem. Porém, ao elaborar um texto escrito, devemos atentar a certos aspectos que abarcam a clareza dos objetivos do autor na produção textual. A proficiência na escrita torna o sujeito apto a usar a palavra não só na defesa do ponto de vista, mas também no exercício dos direitos. Nesse sentido, o saber usar a linguagem é um fator determinante da inclusão social do indivíduo. Os PCN’s (Parâmetros Curriculares Nacionais) sugerem que as práticas de leitura e produção textual sejam desenvolvidas sob a ótica de gêneros textuais. Além disso, elucidam que a escola tem o papel de formar cidadãos participantes e úteis à sociedade. Nesta perspectiva, elegemos o abaixo-assinado, o manifesto, a carta argumentativa e a carta aberta. Acreditamos que é essencial o contato com esses gêneros textuais, pois eles são instrumentos de inclusão social e permitem que as minorias, também, façam parte do processo democrático em que vivemos. Primeiramente, estudamos as especificidades de cada um destes gêneros textuais. Em seguida, elaboramos, o material pedagógico e, finalmente, o aplicamos no contexto escolar. Como pressuposto teórico, utilizamos as teorias de Bakhtin (2000), além dos estudos de Maingueneau (2001), Marcuschi (2003,2005), Meurer & Motta- Roth (2002), Sarmento (2003), entre outros.


HISTÓRIA É TEMPO, TEMPO É VIDA


Autor: JANINE D. PEREIRA (jisa@bol.com.br)
Co-Autor: GREICE AIRES NUNES
Orientador: Prof. Dr. FRANCISCO ESTIGARRIBIO DE FREITAS

Palavras Chaves: História, memória, ensino

Oficina: História é Tempo e Tempo é Vida. Em agosto de 2006 realizou-se uma oficina com fotografias no laboratório de metodologia em história no Centro de Educação. O presente foi o objeto de estudo já que é onde estão sendo construídas às diversas formas de viver. O evento contou com a presença de alunos da pedagogia, que se separaram em grupos de três a quatro pessoas, cada um deles deveria montar em cima de uma cartolina fotos antigas e atuais do centro da cidade Santa-Mariense. Depois da montagem os organizadores pediram para haver troca entre os grupos, para que houvesse uma interpretação ou modificação conforme os componentes que receberam, achassem necessário. Por último cada grupo retomou o seu painel de origem para identificar as modificações. Com esta proposta o referido laboratório objetivou proporcionar aos participantes a criação de seu próprio material, quebrando desta forma, com a sistematização e ortodoxia dos livros didáticos rompendo também com o autoritarismo historiográfico. Por fim fez-se uma discussão entre os grupos e os organizadores em cima do conhecimento diferenciado das pessoas presentes. A partir disso, pudemos demonstrar que com uma simples montagem fotográfica é possível à construção do conhecimento liberando visões e reinterpretando processos históricos. Nessa perspectiva, potencializa-se o olhar das pessoas que vivenciam a urbanização de Santa Maria atual, a partir de elementos remanescentes do início da urbanização da cidade.


HISTÓRIA, LITERATURA E DITADURA: O CASO JOÃO PAZ EM INCIDENTE EM ANTARES


Autor: DANIELA FREITAS TORRES (danielaftorres@uol.com.br)
Orientador: Profª Ms. ELAINE DOS SANTOS

Palavras Chaves: Ditadura, história, literatura

O presente trabalho aborda a possível leitura de crítica ao regime ditatorial militar das décadas de 60 e 70, do século XX, através da personagem João Paz, na obra Incidente em Antares, do escritor Erico Verissimo. A pesquisa, de cunho bibliográfico, tem embasamento em teóricos da atualidade que tratam de temas relacionados à História e à Literatura de nosso país. Partindo dessa temática, fez-se uma análise das condições sócio-políticas que antecederam a implantação da Ditadura Militar no Brasil no ano de 1964, bem como sua efetivação e as conseqüências trazidas ao país. Em uma segunda etapa, a pesquisa volta-se para as considerações sobre as relações entre História e Literatura, iniciando-se a análise da personagem João Paz como figura que corporificou a crítica ao regime militar na obra Incidente em Antares. Através da história dessa personagem, o trabalho inicia um estudo que relaciona os acontecimentos da ficção com os fatos que foram vivenciados pela sociedade brasileira, estabelecendo um parâmetro entre a figura de João Paz e dos perseguidos políticos das décadas de 60 e 70 no Brasil. Por fim, faz-se uma retomada das razões que permitem o entendimento de João Paz como ser estereótipo da crítica ao regime militar, apontando novas possibilidades de pesquisa na obra Incidente em Antares.


LEITURA DE IMAGENS DOS LIVROS DIDÁTICOS: O PROBLEMA DO PRECONCEITO NA ESCOLA


Autor: JOVANELI LARA XAVIER SIQUEIRA
Orientador: Prof. Dr. AMARILDO LUIZ TREVISAN

Palavras Chaves: Leituras, imagens, preconceito

Este trabalho consiste em uma análise de imagens que ilustram alguns livros didáticos do ensino fundamental. A tentativa é compreender a representação da divisão social do trabalho em relação ao modo como são retratados os afro- descendentes em nosso contexto social. Tem como base o artigo da profa. Ana Célia Silva que aborda a desconstrução de imagens estereotipadas nos livros didáticos. O artigo encontra-se no livro “Superando o Racismo na Escola”, publicado em 2005, que tem como organizador o professor Kabengele Munanga. O livro propõe também temas como história e conceitos básicos sobre o racismo e seus derivados. Acredito que a análise dessas imagens pode ser de grande importância para instigar o leitor a ser mais atento às diferentes formas de preconceitos em relação ao negro, das mais sutis às mais evidentes, que muitas vezes levam as crianças negras a não se aceitarem, procurando literalmente o branqueamento. Como diz a própria Ana Célia Silva: “A vítima do racismo torna-se réu, executor; e o autor da trama sai isento e acusador” (2005, p. 31).


LOS GEMELOS DEL POPOL VUH Y LOS DE ÁFRICA: LOS SERES ESPECIALES


Autor: RAQUEL RAMOS DE BARCELLOS (magalirrb@yahoo.com.br)
Co-Autor: EVANIZE SCAPIN CARGNIN
Orientador: Profª Ms. ANGELA FLAIN

Palavras Chaves: Gemelos, "Popol Vuh", África Occidental

Los gemelos del Popol Vuh y los de África: los seres especiales Raquel Ramos de Barcellos (autora) Evanize Scapin Cargnin (co-autora) El presente trabajo tiene por objetivo principal hablar acerca de los principales personajes del libro Popol Vuh, que es considerada la obra sagrada de los indios quichés que habitaban en la zona de Guatemala: los gemelos Hunahpú e Ixbalanqué. Se desea hacer entonces una especie de comparación entre el tratamiento que reciben los hermanos gemelos en el Popol Vuh y como son tratados los gemelos que viven actualmente en África Occidental. A traves de este trabajo se podrá observar que gemelos son considerados “seres especiales”, pero no solo en el libro, o sea, hay otros pueblos, como los de África, que vienen a ellos como seres que además de tener muchas semejanzas, tienen algo muy particular y especial, merecendo incluso un tratamiento distinto.


O ESTADO E A FAMÍLIA EM "A CASA DE BERNARADA ALBA"


Autor: LUCIANA FERRARI MONTEMEZZO (lmontemezzo@yahoo.com.br)
Orientador: ORNA MESSER LEVIN

Palavras Chaves: Literatura espanhola, repressão, memória

"A Casa de Bernarda Alba", drama escrito por Federico García Lorca em 1936, trata das relações de poder vigentes na Espanha rural pré-franquista. A família reproduz, em microescala, o que acontece no plano sócio-político nacional. Dessa mameira, coopera para a manutenção de uma ordem social repressora em que o cerceamento das liberdades individuais é imprescindível.


O FILHO A CASA TORNA, MAS, QUE CASA?


Autor: Profª Ms. NEIVA FERNANDES (neivagf@uol.com.br)

Palavras Chaves: Memória, exílio, identidades, literatura

Este trabalho tem como objetivo analisar sob a ótica da psicanálise e da sociologia, a manutenção da identidade durante o processo de exílio, desexílio, memória e rememoração numa das obras do escritor uruguaio, Mario Benedetti. Manter a memória em permanente estado de alerta para o rememorar e daí a manutenção de uma identidade que se supunha estável, é o que trata o autor em um de seus últimos romances, "Andamios". Nele, exílio e memória se associam para, juntos, comporem uma narrativa repleta de dor, surpresas e espaços físicos que sobrevivem apenas na mente do personagem Javier Montes. Rememorar o passado durante o processo de desexílio também é outra forma de salvar a si mesmo. Narrativa em tempo descontínuo tal qual como acontece durante a rememoração, na volta ao lugar (des)conhecido. O mesmo já não é mais o mesmo, embora tudo continue igual. Só as pessoas mudaram. Seus ideais políticos silenciaram na voz do medo e da acomodação. Um processo de errância na terra natal se instala então na personagem Javier Montes; uma errância que apesar de fixa, com endereço e tudo o mais, já não mais o identifica com o que era antes de exilar-se na Espanha. Tal qual o anjo de Benjamim, ele olha o passado, para nele, enfrentar o presente, um presente estranho, dezenraizado, sem história, mas que no fundo, pode representar uma esperança.


"O GATO MALHADO E A ANDORINHA SINHÁ - UMA HISTÓRIA DE AMOR": A CRÍTICA SOCIAL DE JORGE AMADO EM UMA OBRA INFANTO-JUVENIL


Autor: ALINE MACIEL (alinecenica@yahoo.com.br)
Orientador: Profª Ms. BEATRIZ MARIA PIPPI QUINTANILHA

Palavras Chaves: Jorge Amado, literatura infanto-juvenil, comunismo

Este trabalho é resultante da pesquisa bibliográfica realizada para o projeto “A linguagem do contador de histórias na construção de um espetáculo solo” do Curso de Artes Cênicas da UFSM. Escolheu-se, para ser adaptado à dramaturgia, o texto “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá – uma história de amor”, de Jorge Amado. Esta é a história de um gato que se apaixona por uma andorinha causando estranheza em todos os outros animais que habitavam um parque. Embora coloque em evidência o romance melancólico de dois seres de habitats antagônicos, naturalmente diferentes e, até mesmo, inimigos, o texto toca também no problema do preconceito, da intolerância e da hipocrisia. Amado remete-nos para o tempo em que os animais falavam e, alegoricamente, conta, na verdade, uma história de gente, deslocando a hierarquia dos lugares instituídos, revisando valores. Através das personagens são feitas críticas não só ao comportamento dos homens, mas também às suas instituições, como a Igreja e a Academia. Assim, rompe com a função moralizadora da fábula num desvelamento crítico do jogo social e suas hipocrisias. As posições políticas do autor, de caráter comunista, aparecem neste texto de forma alegórica, mas não menos incisivas. Pretende-se analisar o contexto histórico em que ele foi construído, além de buscar uma aproximação entre a postura ideológica do autor e a história contada.


O MAPA DE QUINTANA - UMA POÉTICA DA MEMÓRIA


Autor: SÍLVIO HECTOR BALESTRA RODRIGUES - Bolsista nihil (silviobalestra@hotmail.com)
Orientador: ANDRÉ LUÍS MITTIDIERI

Palavras Chaves: Mario Quintana, autobiografia, poema autobiográfico

Recorrendo às idéias do filósofo alemão Martin Heidegger, sobre poesia e historicidade, exponho, por meio de CD-ROM, uma micro-história fotográfico-literária de Mario Quintana. Ao ressaltar os aspectos autobiográficos da obra do poeta gaucho, o presente trabalho é referendado por conclusões de estudiosos como José Carlos de Freitas, Pierre Nora e Regina Zilberman. O corpus é delimitado por poemas publicados entre 1938 e 1951, desde os primeiros registros na revista alegretense Ibirapuitan até o conjunto que compõe Espelho Mágico.


O QUE É ISSO, COMPANHEIRO? MEMÓRIA, IDENTIDADE E DITADURA MILITAR


Autor: Profª Ms. ELAINE DOS SANTOS (e.kilian@gmail.com)

Palavras Chaves: Memória, identidade, ditadura

As sociedades sul-americanas, durante os anos de 1960 e 1970, experimentaram um processo ditatorial atroz que desfez as instituições democraticamente organizadas, suprimiu as liberdades individuais básicas, unindo, sob o signo da dor, uma geração de homens e mulheres idealistas que lutaram contra o poder militar. Passados alguns anos dessas experiências, aqueles que vivenciaram a tortura, a agressão física e moral, a desagregação social, recuperam, para as novas gerações, os eventos pretéritos e, para tal, fazem uso do recurso mnêmico, sob a forma de narrativa ficcional, denunciam, lastimam aqueles anos. Este trabalho, tomando como referência a obra "O que é isso, companheiro?", procura reler as condições humanas em que se deu um – suposto - processo da perda identitária e, como causa e/ou conseqüência, a perda da utopia em nossa sociedade. Assim, após a leitura das obras de caráter histórico e literário que abordam o período, passa-se a análise do romance memorialista em questão para, nele, identificar traços desse processo de perda e as relações que se estabelecem entre o poder militar, as instituições subjugadas e os indivíduos que resultaram desse embate.


O RESGATE DO NARRADOR


Autor: LAISA BLANCY DE OLIVEIRA GUARIENTI (batupre@yahoo.it)
Co-Autor: LUCINÉIA CARLA LOEBLIEN
Orientador: JOÃO LUIS OURIQUE

Palavras Chaves: Narração, experiência, memória, cultura

Este trabalho tem o objetivo de apresentar algumas considerações sobre a arte de contar histórias, esta que na sociedade atual voltada à técnica, está em vias de extinção. Tendo como base teórica Walter Benjamin, tomamos como pressuposto a palavra, esta que é um elemento imprescindível da condição humana, pois é com ela que nós nos comunicamos com os outros seres, tornando assim, ela o fator principal da narração. A palavra que atualmente vem sendo mais exercitada pela escrita que pela oralidade. Desse modo, vemos a escola como a possibilidade maior dessa arte de contar histórias volte à tona, trocando experiências e exercendo a memória entre alunos e professores, pois acreditamos que com esse espaço do narrador dentro das escolas, as crianças possivelmente terão um maior desenvolvimento no que diz respeito à imaginação, ao vocabulário e no despertar da curiosidade, entre outras mais probabilidades. A cultura do contar histórias está sendo esquecida de nossas memórias, sendo substituídas por novos valores. Nesse sentido, não podemos perder os antigos hábitos e sim agregá-los a nova cultura que está se inserindo em nossas vidas.


O TESTEMUNHO DE PRIMO LEVI EM "É ISTO UM HOMEM?"


Autor: JOSELAINE BRONDANI MEDEIROS - Bolsista CNPq (jobrmedeiros@hotmail.com)
Orientador: Profª Dr. REGINA ZILBERMAN

Palavras Chaves: Literatura, memória, trauma

A literatura de testemunho nasce de uma experiência de ruína, marcada pela opressão e pela violência de ser um sobrevivente dos campos de concentração nazistas. Primo Levi nasceu em Turim, na Itália, e foi preso em 1943, estando, no início de 1944, no comboio que partia para Auschwitz. Ele viveu onze meses no campo e conseguiu sobreviver, tendo, portanto, a difícil tarefa de rememorar e enlutar os mortos. A sua experiência de prisioneiro é relatada em "É isto um homem?", obra que mostra a situação dos homens, judeus, na maioria, degradados social e moralmente pelos soldados alemães. Lá o escritor e químico conviveu diariamente com a violência, com a opressão, com a fome, com o medo e, sobretudo, com a morte.Sentiu na pele a dor de ser um número e de ver tantos homens, mulheres e crianças serem incinerados ou jogados numa vala comum como animais. Diante dessa experiência traumática, não há linguagem capaz de expressar a barbárie. O seu texto se constrói com fragmentação, hiatos, vazios, decorrentes da impossibilidade de expressar o ocorrido. No entanto, o holocausto não pode ser esquecido..isso para que não se repita. E o autor tem um compromisso com os que perderam sua vidas e com a História para que não caia no esquecimento.


O UNIVERSO FEMININO


Autor: Profª DEBORA OLIVEIRA MINUZZI (dminuzzi@gmail.com)
Orientador: Profª Dr. ALBA OLMI

Palavras Chaves: Práticas sociais, universo feminino, exclusão

O presente trabalho objetiva investigar as práticas sociais da personagem central de Kate Chopin escritora norte- americana em “The Awakening”. Tendo por objetivo analisar o espaço cultural em que a personagem está inserida e o modo pelo qual ela reage às injunções sociais, na tentativa de transgredi-las, buscando novas formas de valor e sentido para sua vida. Neste estudo enfoca-se o universo feminino enfatizando a questão da invisibilidade e silêncio ao qual a mulher foi submetida ao longo dos processos históricos. Como SCHMIDT (1995) argumenta: A história do nosso passado revela a dominação e os mecanismos de exclusão que geriram nossos processos culturais. O presente trabalho é desenvolvido dentro dessa perspectiva. A metodologia está dividida em três momentos mais importantes: primeiro- investigar a representação da imagem da mulher no texto literário; segundo- observar o modo como a protagonista central endossa ou repúdia a organização social de sua época; terceiro- discutir o fenômeno cultural e ideológico que perpassa a obra. Conclui-se com base nesses argumentos mencionados acima e observando a importância de pesquisar fenômenos culturais que constituem de modo orgânico a estrutura social, entendemos que, como leitores de literatura produzida mundialmente, é interessante, para o campo das Ciências Sociais e Humanas continuar questionando e problematizando questões dessa natureza que dizem respeito a tópicos sempre atuais.


OS "DIÁRIOS DE GUERRA" DE JEAN-PAUL SARTRE


Autor: Prof. ADELAR CONCEIÇÃO DOS SANTOS (adelarconceicao@hotmail.com)
Orientador: Prof. Dr. MARCELO FABRI

Palavras Chaves: Filosofia, fenomenologia, memória

Quando Jean-Paul Sartre se alistou no serviço de meteorologia do Exército Francês, no início da Segunda Guerra Mundial, já era visto como um escritor promissor, contando no seu currículo, artigos e ensaios filosóficos, uma novela e uma coletânea de contos. O "Diário de uma Guerra Estranha", escrito entre setembro de 1939 e março de 1940, reúne as anotações e reflexões do jovem escritor e filósofo durante este período. Nele Sartre narra não só o cotidiano e os movimentos dessa “guerra estranha”, como também nos fala da produção de sua obra literária e filosófica que o tornariam célebre no imediato pós-guerra. Aí estão presentes as indagações e algumas anotações que resultaram em "O Ser e o Nada", sua obra filosófica maior. Mas, além disso, este relato guarda uma peculiaridade que merecerá uma atenção especial. Nos diários, Sartre comenta e tenta se aprofundar no método da fenomenologia, um movimento filosófico que tem origem entre os “inimigos” alemães, os mesmos mestres que tornam possível fundar o seu pensamento.


POSSÍVEIS REPRESENTAÇÕES DE SUBMISSÃO FEMININA NA OBRA "BODAS DE SANGRE" DE FEDERICO GARCIA LORCA


Autor: GUILHERME DA SILVA DOS SANTOS (santos.sm@hotmail.com)
Co-Autor: TATIANE FLORES JARDIM
Orientador: Profª Ms. ÂNGELA LUIZA FLAIN FERREIRA

Palavras Chaves: Lorca, Bodas de Sangre, mulher

Possíveis representações de submissão feminina na obra “Bodas de Sangre” de Federico Garcia Lorca. Autor: Ac. Guilherme da Silva dos Santos Co-autor: Ac. Tatiane Flores Jardim Orientador: Profª. Ms. Ângela Luiza Flain Ferreira A figura da mulher, historicamente, foi retratada, sob um ponto de vista romântico, idealizado e irreal, pois geralmente são mulheres fracas, oprimidas, sonhadoras e dependentes da figura masculina. Federico Garcia Lorca, um dos maiores escritores pós-modernista do século XX, revela em suas obras o mundo feminino de maneira forte e realista, como se ele iluminasse essa realidade por tanto tempo omitida. Sendo assim, este trabalho objetiva analisar a representação da mulher na obra “Bodas de Sangre”, enfatizando a questão da submissão social feminina.


UM OLHAR FANTÁSTICO SOBRE O CENTAURO NO JARDIM


Autor: PRISCILA FINGER DO PRADO (priscilletras@yahoo.com.br)
Orientador: Profª Dr. CERES HELENA ZIEGLER BEVILÁQUA

Palavras Chaves: "O centauro no jardim", Moacyr Scliar, fantástico

A leitura de “O centauro no jardim”, de Moacyr Scliar, não é facilmente “digerida” pelo leitor, pois provoca certo estranhamento quanto a sua verossimilhança. O conceito de estranhamento foi abordado pela psicanálise, primeiramente por Freud, em seu “Das unheimlich” (O estranho). No campo do estruturalismo, mais precisamente na Teoria Literária, Tzvetan Todorov é o principal nome no estudo do estranho e também do fantástico na literatura. Com base nesses pressupostos teóricos, o presente estudo visa à investigação do elemento fantástico na obra “O centauro no jardim”, demarcando suas especificidades, com o objetivo de detectar o porquê desse estranhamento na leitura de tal romance.


UM PACTO COM A SANTA, OU AUTENTICAÇÕES DEMONÍACAS NO ROMANCE DE EVA PERÓN?


Autor: Prof. ANDRÉ LUIS MITIDIERI-PEREIRA - Bolsista CNPq-Doutorando (ritzelremedios@gmail.com)
Orientador: Profª Dr. MARIA LUÍZA RITZEL REMÉDIOS

Palavras Chaves: Santa Evita, Tomás Martínez, Lit. Hispano-Americana

A obra literária Santa Evita, do escritor argentino Tomás Eloy Martinez, é regida por variações pendulares de alternância, entre a recuperação do referente histórico e o poder de ficcionalização da heroína, cujo modelo extratextual destaca-se no quadro das personalidades latino-americanas por vir seduzindo diversos gêneros ficcionais, a exemplo da ópera-rock e do cinema. A representação de Eva Perón na própria realidade, o modo como penetra no imaginário, e inclusive a dissolução do seu nome próprio no carinhoso diminutivo de um de seus nomes de batismo, já provam que, em se tratando de sua vida, o real não resiste aos apelos da fantasia. Examino então, desde as margens da obra literária, se o romance compromete-se a exumar uma provável biografia da heroína. Observo se o paratexto e as seções iniciais do texto sugerem o contrato biográfico de leitura, como proponho, a partir do pacto autobiográfico sugerido pelo teórico francês Pihilippe Lejeune. Para tanto, serão discutidas algumas questões relevantes, tanto em relação a autenticidade da narrativa e autenticação do real, quanto às relações entre a sujeita histórica, sua modelização e ficcionalização.

                 
V Jornada de Literatura e Autoritarismo e Simpósio Memórias da Repressão - 5 a 7 de dezembro © 2006 - Desenvolvimento WEB