... Cadernos :: edição: 2002 - N° 20 > Editorial
 
Editorial

Completar quinze anos de circulação de uma revista com linha editorial voltada para a Educação Especial, requer que pensemos. Requer que pensemos sobre o quadro da Educação Especial no momento de sua criação, sobre a trajetória de sua existência, sua vida futura.

O primeiro número dos Cadernos de Educação Especial circulou em 1987. Naquele ano a Universidade Federal de Santa Maria completava 27 anos, dos quais, 25 anos de dedicação efetiva ao trabalho com Educação Especial, quer na formação de recursos humanos, quer no atendimento aos portadores de deficiência.

A preocupação com a Educação Especial, acredito, já integrava o manancial de idéias do idealizador, fundador e maior entusiasta da Universidade Federal de Santa Maria, o Professor José Mariano da Rocha Filho. A origem da Educação Especial foi no Instituto da Fala, pertencente ao Centro de Estudos Básicos da UFSM. No instituto da Fala desenvolviam-se atividades de ensino, pesquisa e extensão, nas áreas da audição, fala e linguagem. Entre as crianças que freqüentavam, para um grande número era importante receber também, para seu melhor desenvolvimento, atendimento pedagógico especializado, pois somente o atendimento médico pouco os beneficiou. A partir desta constatação deu-se o primeiro passo na formação de recursos humanos para a Educação Especial. Duas professoras foram encaminhadas ao Rio de Janeiro para, no Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES, receberem capacitação técnica. Este processo de formação de recursos humanos era dispendioso e demorado e havia uma necessidade urgente de integrar a criança surda à escola regular. Em decorrência do elevado custo e da demora, a alternativa encontrada para formar professores foi a criação de Cursos de Extensão Universitária.

Em março de 1962 iniciaram as aulas do primeiro Curso que foi o marco na formação de recursos humanos para a Educação Especial em Santa Maria. Em 1964, os Cursos de Extensão Universitária foram substituídos pelos Cursos de Estudos Adicionais, os quais foram realizados até 1970. Logo após, no ano de 1974, foi criada a Habilitação em Deficientes da Audiocomunicação, no curso de Pedagogia. Em 1976, foi instalado o Curso de Educação Especial - Licenciatura Curta, para formação de professores para deficientes mentais. Nos anos seguintes, mediante estudos dos professores que atuavam no Curso e considerando as aspirações dos alunos com referência ao Plano de Carreira do Magistério Estadual/RS, o Curso de Educação Especial passou por nova reestruturação transformando-se em Licenciatura Plena, sendo reconhecido como tal através de Parecer CFE 1308/80, e homologado esse reconhecimento pela Portaria de MEC 141/81.
No ano de 1982 o Centro de Educação encaminhou ao Conselho Federal de Educação – CFE, proposta de reestruturação dos Cursos de Pedagogia e Educação Especial. Especificamente quanto a Educação Especial, propunha-se um curso que reunisse a Habilitação em Deficientes da Audiocomunicação do Curso de Pedagogia com a Habilitação em Deficientes Mentais do Curso de Educação Especial. Houve aprovação de tal solicitação através de Parecer CFE 65/82. A partir do ano de 1984, os ingressos passaram a ser do Curso de Educação Especial, nas habilitações Deficientes Mentais ou Deficientes da Audiocomunicação.

A formação de recursos humanos para a Educação Especial se desenvolveu acompanhada pela prestação de serviços de extensão à comunidade. Em 1980, foi criado o Serviço de Atendimento Complementar ao Deficiente Auditivo – SACDA, em convênio com a Legião Brasileira de Assistência – LBA. O SACDA servia de local de estágio aos alunos dos Cursos de Educação Especial, Fonoaudiologia e Pedagogia. No ano de 1983 as atividades de SACDA foram reformuladas e ampliadas e o serviço recebeu nova denominação: Centro de Atendimento Complementar em Educação Especial – CACEE. O CACEE fundamentava suas atividades de cunho complementar no Modelo Médico-Psicológico. Em 1993, o Departamento de Educação Especial implantou no CACEE uma nova metodologia de trabalho baseado em outro paradigma teórico: o Modelo Pedagógico, com ênfase definida no ensino, pesquisa e extensão. Foi, então, criado o Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão em Educação Especial – NEPES.

Tendo consolidada a formação de recursos humanos no nível de graduação, iniciou, em 1994, o Curso de Pós-graduação em Educação Especial - Especialização. Em 1998, na Linha de pesquisa Formação de Professores do Programa de Pós-graduação em Educação, foi criado um Núcleo Temático – Educação em Circunstâncias Especiais – orientado para a produção e aplicação de conhecimentos promotores do desenvolvimento de pessoas com possibilidades limitadas de interação social.

Quando circulou o primeiro Cadernos de Educação Especial, em 1987, havia vinte e cinco anos de Educação Especial na UFSM. Hoje, quinze anos passados, quando apresentamos o Caderno número 20, completamos quarenta anos de envolvimento com esta área que vem avançando na produção de conhecimento e no grau de profissionalização de seus agentes.
Nos primeiros anos foi difícil manter a Revista. Além de recursos humanos, financeiros, técnicos, faltava o fundamental: a matéria prima de divulgação. As diversas atividades em ensino, pesquisa e extensão realizados pelos professores do Departamento de Educação Especial, por professores e alunos do Centro de Educação, transformadas em textos – artigos, relatos, resenhas – e mais a colaboração de profissionais e professores de outras Instituições possibilitaram que o Cadernos fosse editado e cumprisse seu objetivo de “... veicular estudos, pesquisas e experiências na área, para abertura de novos horizontes, para o aprofundamento de temas concernentes, e para o enriquecimento mútuo de todos os que se dedicam à Educação Especial”.

Cadernos de Educação Especial é hoje distribuído para aproximadamente duzentas instituições do país. Recebe colaboração de pesquisadores nacionais e internacionais. Recebeu classificação, na avaliação qualis coordenada pela CAPES, como periódico C-Nacional.

Mantemos periodicidade, estamos conseguindo melhorar a qualidade gráfica e a distribuição e, sobretudo estamos agregando qualidade.

A proposta editorial da Revista continua sendo a de veicular a produção acadêmica inédita de pesquisadores em Educação, prioritariamente daqueles trabalhos mais diretamente vinculados com a Educação Especial, de forma a ampliar discussões sobre políticas públicas, demanda, formação de professores e temáticas emergentes.

Professor Reinoldo Marquezan
Presidente do Conselho Editorial


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