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Completar quinze anos de circulação
de uma revista com linha editorial voltada para
a Educação Especial, requer que
pensemos. Requer que pensemos sobre o quadro da
Educação Especial no momento de
sua criação, sobre a trajetória
de sua existência, sua vida futura.
O
primeiro número dos Cadernos de Educação
Especial circulou em 1987. Naquele ano a Universidade
Federal de Santa Maria completava 27 anos, dos
quais, 25 anos de dedicação efetiva
ao trabalho com Educação Especial,
quer na formação de recursos humanos,
quer no atendimento aos portadores de deficiência.
A
preocupação com a Educação
Especial, acredito, já integrava o manancial
de idéias do idealizador, fundador e maior
entusiasta da Universidade Federal de Santa Maria,
o Professor José Mariano da Rocha Filho.
A origem da Educação Especial foi
no Instituto da Fala, pertencente ao Centro de
Estudos Básicos da UFSM. No instituto da
Fala desenvolviam-se atividades de ensino, pesquisa
e extensão, nas áreas da audição,
fala e linguagem. Entre as crianças que
freqüentavam, para um grande número
era importante receber também, para seu
melhor desenvolvimento, atendimento pedagógico
especializado, pois somente o atendimento médico
pouco os beneficiou. A partir desta constatação
deu-se o primeiro passo na formação
de recursos humanos para a Educação
Especial. Duas professoras foram encaminhadas
ao Rio de Janeiro para, no Instituto Nacional
de Educação de Surdos INES,
receberem capacitação técnica.
Este processo de formação de recursos
humanos era dispendioso e demorado e havia uma
necessidade urgente de integrar a criança
surda à escola regular. Em decorrência
do elevado custo e da demora, a alternativa encontrada
para formar professores foi a criação
de Cursos de Extensão Universitária.
Em
março de 1962 iniciaram as aulas do primeiro
Curso que foi o marco na formação
de recursos humanos para a Educação
Especial em Santa Maria. Em 1964, os Cursos de
Extensão Universitária foram substituídos
pelos Cursos de Estudos Adicionais, os quais foram
realizados até 1970. Logo após,
no ano de 1974, foi criada a Habilitação
em Deficientes da Audiocomunicação,
no curso de Pedagogia. Em 1976, foi instalado
o Curso de Educação Especial - Licenciatura
Curta, para formação de professores
para deficientes mentais. Nos anos seguintes,
mediante estudos dos professores que atuavam no
Curso e considerando as aspirações
dos alunos com referência ao Plano de Carreira
do Magistério Estadual/RS, o Curso de Educação
Especial passou por nova reestruturação
transformando-se em Licenciatura Plena, sendo
reconhecido como tal através de Parecer
CFE 1308/80, e homologado esse reconhecimento
pela Portaria de MEC 141/81.
No ano de 1982 o Centro de Educação
encaminhou ao Conselho Federal de Educação
CFE, proposta de reestruturação
dos Cursos de Pedagogia e Educação
Especial. Especificamente quanto a Educação
Especial, propunha-se um curso que reunisse a
Habilitação em Deficientes da Audiocomunicação
do Curso de Pedagogia com a Habilitação
em Deficientes Mentais do Curso de Educação
Especial. Houve aprovação de tal
solicitação através de Parecer
CFE 65/82. A partir do ano de 1984, os ingressos
passaram a ser do Curso de Educação
Especial, nas habilitações Deficientes
Mentais ou Deficientes da Audiocomunicação.
A
formação de recursos humanos para
a Educação Especial se desenvolveu
acompanhada pela prestação de serviços
de extensão à comunidade. Em 1980,
foi criado o Serviço de Atendimento Complementar
ao Deficiente Auditivo SACDA, em convênio
com a Legião Brasileira de Assistência
LBA. O SACDA servia de local de estágio
aos alunos dos Cursos de Educação
Especial, Fonoaudiologia e Pedagogia. No ano de
1983 as atividades de SACDA foram reformuladas
e ampliadas e o serviço recebeu nova denominação:
Centro de Atendimento Complementar em Educação
Especial CACEE. O CACEE fundamentava suas
atividades de cunho complementar no Modelo Médico-Psicológico.
Em 1993, o Departamento de Educação
Especial implantou no CACEE uma nova metodologia
de trabalho baseado em outro paradigma teórico:
o Modelo Pedagógico, com ênfase definida
no ensino, pesquisa e extensão. Foi, então,
criado o Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão
em Educação Especial NEPES.
Tendo
consolidada a formação de recursos
humanos no nível de graduação,
iniciou, em 1994, o Curso de Pós-graduação
em Educação Especial - Especialização.
Em 1998, na Linha de pesquisa Formação
de Professores do Programa de Pós-graduação
em Educação, foi criado um Núcleo
Temático Educação
em Circunstâncias Especiais orientado
para a produção e aplicação
de conhecimentos promotores do desenvolvimento
de pessoas com possibilidades limitadas de interação
social.
Quando
circulou o primeiro Cadernos de Educação
Especial, em 1987, havia vinte e cinco anos de
Educação Especial na UFSM. Hoje,
quinze anos passados, quando apresentamos o Caderno
número 20, completamos quarenta anos de
envolvimento com esta área que vem avançando
na produção de conhecimento e no
grau de profissionalização de seus
agentes.
Nos primeiros anos foi difícil manter a
Revista. Além de recursos humanos, financeiros,
técnicos, faltava o fundamental: a matéria
prima de divulgação. As diversas
atividades em ensino, pesquisa e extensão
realizados pelos professores do Departamento de
Educação Especial, por professores
e alunos do Centro de Educação,
transformadas em textos artigos, relatos,
resenhas e mais a colaboração
de profissionais e professores de outras Instituições
possibilitaram que o Cadernos fosse editado e
cumprisse seu objetivo de ... veicular estudos,
pesquisas e experiências na área,
para abertura de novos horizontes, para o aprofundamento
de temas concernentes, e para o enriquecimento
mútuo de todos os que se dedicam à
Educação Especial.
Cadernos
de Educação Especial é hoje
distribuído para aproximadamente duzentas
instituições do país. Recebe
colaboração de pesquisadores nacionais
e internacionais. Recebeu classificação,
na avaliação qualis coordenada pela
CAPES, como periódico C-Nacional.
Mantemos
periodicidade, estamos conseguindo melhorar a
qualidade gráfica e a distribuição
e, sobretudo estamos agregando qualidade.
A
proposta editorial da Revista continua sendo a
de veicular a produção acadêmica
inédita de pesquisadores em Educação,
prioritariamente daqueles trabalhos mais diretamente
vinculados com a Educação Especial,
de forma a ampliar discussões sobre políticas
públicas, demanda, formação
de professores e temáticas emergentes.
Professor
Reinoldo Marquezan
Presidente do Conselho Editorial
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