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Por uma educação inclusiva para portadores de deficiência visual: um novo olhar

Andréa Feller Golin
Lia Caetano Bastos
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Este trabalho tem como objetivo verificar e analisar a situação educacional dos portadores de deficiência visual residentes em Florianópolis. A pesquisa conta com a participação de alunos associados à ACIC – Associação Catarinense para Integração do Cego – . A análise dos dados evidencia que o processo educacional vivenciado pelos pesquisados foi permeado por dificuldades no cotidiano escolar, expressas em função dos obstáculos aos recursos didáticos e também a metodologia e a forma como atuaram os professores em sua prática pedagógica. As medidas necessárias para facilitar e proporcionar o processo de inclusão educacional traduzem-se na necessidade de atualização dos docentes e acesso aos recursos pedagógicos. Assim, há expectativas de que com melhores condições no processo ensino-aprendizagem, o sujeito com deficiência visual possa se qualificar e estar mais preparado para ser incluído no mundo do trabalho e consequentemente na sociedade.

Palavras-chave: educação. inclusão. deficiência visual.


Introdução

A essência do homem pode ser definida pelo seu ambiente social. Neste contexto insere-se a prática da atividade de trabalho como uma importante via representativa na formação da essência humana e a consequente formação integral do sujeito. A educação também é considerada como uma das principais formas de participação social dos homens.

De acordo com a conceituação atual elaborada pela OMS – Organização Mundial de Saúde - , considera-se que a educação é uma das formas de participação das pessoas na sociedade, sendo que o grau de participação de uma pessoa nos âmbitos sociais, depende diretamente das condições criadas e oferecidas pela sociedade (TORRES, 2002).

Para Ross (1993, p.261): “A educação e o trabalho constituem um eixo fundamental para a compreensão do processo da emancipação social e política do homem”.

Considerando o processo educacional enquanto condição fundamental para a construção das relações sociais, entende-se que o cotidiano escolar além de ser um espaço caracterizado pelo processo ensino-aprendizagem, é um ponto de partida importantíssimo para a preparação e acesso ao mundo do trabalho.

A sociedade produtiva impõe condições restritivas de trabalho, ocasionada por uma política econômica recessiva, de uma sociedade elitista e demagógica, bem como de uma política de valores estéticos, onde o indivíduo distinto biologicamente é muitas vezes eliminado frente à idealização do belo (BRUNO E MOTA, 1998).

Um dos principais aspectos da atenção à diversidade humana se encontra nos ambientes escolares e, referindo-se a esse contexto, é freqüente o uso da expressão “alunos com necessidades especiais” quando se faz referência aos alunos com deficiência que afeta ou o seu processo de aprendizagem ou a sua forma de acesso às informações (TORRES, 2002, p.11).

Em razão de um processo histórico voltado para o desenvolvimento da exclusão social, desde a educação e o trabalho, o portador de necessidades especiais esbarra em obstáculos atitudinais e físicos, o que dificulta seu processo de ensino-aprendizagem e sua consequente qualificação e preparação para o mundo do trabalho.

“Se o livre trajeto no campo educacional e social é obstruído, tornam-se objetivamente menores as possibilidades para mover-se de um ramo da produção a outro, como exige o mercado moderno” (ROSS, 1993, p. 263).

Embora, muito se vem discutindo sobre inclusão educacional e profissional destes sujeitos, a realidade em nosso país ainda é bastante preocupante.

Quanto ao atendimento educacional destes sujeitos, os dados do Ministério da Educação e Cultura (MEC) mostram que existem cerca de 280 mil alunos com deficiência matriculados em escolas especiais de 1ª a 8ª séries. Outros 300 mil alunos estudam em classes regulares nessas mesmas séries. Apenas 9 mil alunos conseguiram chegar ao ensino médio. Existem aproximadamente 18.200 escolas públicas para alunos portadores de necessidades especiais no país, mas somente 120 títulos dos livros didáticos têm versão em braille (INSTITUTO ETHOS, 2002).

Sendo assim, no sentido de conhecer a realidade das pessoas portadoras de necessidades especiais, desenvolveu-se esta pesquisa para verificar a situação educacional das pessoas portadoras de deficiência visual em Florianópolis, buscando-se assim, elementos para entender o processo de qualificação profissional destes sujeitos.

Buscou-se também identificar as medidas consideradas necessárias pelos próprios pesquisados para facilitar o processo de inclusão educacional na rede regular regular de ensino, traçando-se assim os caminhos para uma aprendizagem e convívio escolar mais dinâmico e enriquecedor.

O eixo norteador desta pesquisa baseia-se nos estudos de Vygotsky, a partir da fundamentação do princípio da inclusão enquanto fio condutor do processo educacional de pessoas com necessidades especiais.

Algumas reflexões sobre o processo de inclusão educacional de pessoas com necessidades especiais
A história da educação especial passa por fases de exclusão total, atendimento segregado em instituições especiais, princípio da integração e a atual caminhada para a efetiva inclusão.

A educação especial primeiramente institucionaliza os indivíduos considerados diferentes, sob o pretexto que estas pessoas necessitam atendimento e tratamento especializado, e por isso devem estar excluídos da rede regular de ensino. Através de um ensino focalizado nos limites e possibilidades do aluno, acredita-se que se possa contribuir para uma melhoria da sua qualidade de vida e assim tentar enquadrá-lo dentro de certos padrões considerados de normalidade.

No Brasil, a educação destes sujeitos ocorreu de maneira bastante segregada e institucionalizada por volta do início do século XIX. Ross (1998) afirma que somente no século XX as experiências pedagógicas fundamentam a necessidade de resgatar a educação especial das instituições de ensino segregadas.

A partir daí, constrói-se um processo pedagógico para os alunos com necessidades especiais: “Nos fins da década de 1960 [...], acentua-se a polêmica entre os defensores da educação especial segregada e aqueles que levantam suas inconveniências no momento de recorrer ao sistema educativo regular. Esse conjunto de acontecimentos abre caminho para uma nova concepção de educação” (ROSS, 1998, p.62).

De acordo com Vigotsky (1989), o sujeito é considerado produto das relações sociais. O homem produtor e produzido nas e pelas relações sociais, situado histórica e culturalmente, tem o seu desenvolvimento promovido pelo social. A essência do homem é social, sendo a cultura parte da natureza humana. A mediação é portanto fundamental para a constituição do sujeito.

“No processo de desenvolvimento histórico, o homem social modifica os meios e os procedimentos de seu comportamento, transformando as atitudes e funções naturais e constrói novos níveis no sistema de comportamento do homem” (VIGOTSKY, 1989, p.93).

Sendo então o meio social e cultural tão essenciais e importantes para o desenvolvimento humano e a sua contrução enquanto sujeito histórico e cidadão, a educação e o meio em que vive este sujeito, devem ser permeados por uma mediação que estimule o seu crescimento e desenvolvimento.

Para Vigotsky, as crianças com deficiência deveriam ser estimuladas a interagir amplamente ao invés de serem educadas apenas em contato com crianças na mesma situação. Tudge (1998, p.153) ao estudar Vigotsky comenta: “Ele alegava que se o cego, o mudo ou a criança mentalmente retardada fosse educada separadamente da criança ‘normal’, seu desenvolvimento procederia de uma maneira totalmente diferente e não benéfica, a qual levaria inevitavelmente à criação de um tipo de pessoas especiais”.

A preparação da escola para incluir o aluno com necessidades especiais, exige uma mudança no processo ensino-aprendizagem. Esta preparação deve ocorrer com a atualização dos professores, que em sua prática pedagógica cotidiana deverão promover o ensino inclusivo, enfocando sua importância não só para os alunos, mas também entre os pais, funcionários da escola e comunidades vizinhas.

Desta maneira, melhores condições poderão ser oferecidas ao aluno com deficiência visual, para que seu processo ensino-aprendizagem torne-se mais enriquecedor e formador de cidadãos críticos e atuantes na sociedade.

Orientação metodológica

O presente estudo foi conduzido a partir da abordagem qualitativa, uma vez que este tipo de pesquisa preocupa-se com os processos dos fenômenos estudados e não com o produto final, pronto, generalizado.

Segundo Lüdke e André (1986, p.12) a pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como a sua fonte de dados e o pesquisador como seu principal instrumento. Os dados coletados são predominantemente descritivos e há uma preocupação muito maior com o processo do que com o produto. “ O interesse do pesquisador ao estudar um determinado problema é verificar como ele se manifesta nas atividades, nos procedimentos e nas interações cotidianas”.

O instrumento utilizado para a coleta de informações e o estudo aprofundado dos dados referentes ‘a população alvo desta pesquisa foi a entrevista. O pesquisador busca obter as informações na fala dos atores sociais.

A entrevista por ser um processo de mediação e interação entre o entrevistador e o entrevistado permite uma busca maior de informações as quais são analisadas de maneira aprofundada, preocupando-se com o processo e o desenvolvimento das informações obtidas

Para a aplicação da entrevista primeiramente foi solicitada a participação dos associados da ACIC (Associação Catarinense para Integração do Cego).

No início da conversa, foram colocados aos sujeitos pesquisados os objetivos do trabalho e da conseqüente entrevista, bem como o caráter confidencial das informações. Estes encontros e o decorrer das entrevistas ocorreram em clima de bastante interação entrevistador / entrevistado.

A utilização deste instrumento de pesquisa teve por base um roteiro de perguntas elaboradas previamente, o qual foi dividido da seguinte maneira: dados pessoais; questões sobre a escolaridade dos sujeitos, as dificuldades ou não encontradas durante o cotidiano escolar, como se dava ou se dá o seu processo de escolarização.

Amostra da pesquisa

Para a amostra estudada nesta pesquisa, foram selecionados os alunos portadores de deficiência visual que freqüentaram a ACIC durante o primeiro semestre de 2002. A pesquisa contou com a participação de 30 associados.

Caracterização geral do Grupo

Para caracterizar o grupo estudado nesta pesquisa, e para o levantamento dos dados pessoais foram analisados sexo, idade e estado civil, conforme pode-se visualizar através das figuras a seguir.

Tabela 1 - Distribuição dos alunos por Sexo x Faixa Etária

Tabela 2 - Distribuição dos alunos por Sexo x Estado Civil

O processo de escolarização e o sujeito portador de deficiência visual: novos olhares

Os dados sobre o processo de escolarização dos sujeitos do grupo pesquisado relacionaram-se à forma de atendimento educacional recebido, ou seja, se estudaram na escola da rede regular de ensino ou em instituição especializada; ao nível de escolaridade; a avaliação do cotidiano da rede regular de ensino e as medidas consideradas necessárias para facilitar a inclusão educacional.

Quanto à forma de atendimento escolar, os entrevistados responderam se estudaram (ou estudam) em escolas regulares, em ambiente inclusivo; ou se estudaram exclusivamente em ambiente especializado, ou seja, se foram escolarizados somente na instituição especializada, ou ainda, se receberam atendimento em ambas as escolas. A tabela 3 apresenta os resultados.

Tabela 3 - Distribuição dos alunos por Forma de Atendimento x Faixa Etária

Com os resultados apresentados nesta tabela, nota-se que a maior parte dos entrevistados estudaram exclusivamente na escola regular, recebendo atendimento em ambiente de ensino inclusivo. Apenas um entrevistado revelou que em seu processo de ecolarização recebeu somente atendimento da instituição especializada.

Na educação das pessoas com necessidades especiais, Vygotsky (1995) ressalta a importância de um processo ensino-aprendizagem voltado para a construção do coletivo e da diversidade. Salienta que o pensamento e o convívio coletivo com a diversidade, são fontes fundamentais para o desenvolvimento da pessoa portadora de deficiência. A forma de colaboração social com outras pessoas, se transforma na atividade psicológica da própria personalidade. Os que só convivem com seus pares, com seus iguais, são privados da fonte rica de desenvolvimento.

Em relação ao nível de escolaridade dos entrevistados, os dados estão distribuídos na Figura 1.

Figura 1 - Nível de Escolaridade dos Alunos

Questionados sobre a avaliação do cotidiano escolar da rede regular de ensino, os entrevistados analisaram suas vivências educacionais em relação à metodologia das aulas; a atuação dos docentes em relação ao aluno com deficiência visual (de que forma atuaram ou atuam esses professores de maneira a contribuir e auxiliar o processo ensino-aprendizagem destes alunos); a comunicação e o relacionamento entre demais colegas de turma, e por último a disponibilidade de material didático adaptado.

 

Figura 2 - Avaliação do Cotidiano Escolar da Rede Regular

Conforme pode-se observar na figura 2, os entrevistados responderam em sua maioria, que consideram ruins tanto a metodologia das aulas como a atuação dos professores. Da mesma forma a diponibilidade dos materiais pedagógicos e os recursos adaptados a realidade do aluno com deficiência visual, foram considerados ruins por 21 dos 30 entrevistados.

Para ilustrar estas questões sobre a metodologia e atuação dos docentes frente à deficiência, destacam-se alguns depoimentos dos próprios entrevistados:

“A maior parte dos professores não estava preparado para receber alunos com deficiência visual. Simplesmente não tinham noção de como comportar-se. A didática empregada normalmente não atendia as necessidades”.

A opinião de outro entrevistado revela a falta de qualificação dos docentes: “Nós (pessoas com necessidades especiais) é que temos que mostrar nossas dificuldades. O professor não tem qualificação, capacitação, não tem nada pronto, para receber um aluno com deficiência. A gente é que tem que falar, correr atrás, avisar como eles devem nos ajudar”.

No que se refere à disponibilidade dos recursos pedagógicos, é importante trazer uma analogia entre a realidade nos dias atuais em nossas escolas com os estudos de Vygotsky (1995). O autor analisa a questão da dificuldade e da falta de adequação entre a organização psicofisiológica da criança portadora de deficiência e os meios culturais disponíveis, ou seja os recursos pedagógicos existentes na escola regular.

A criança defeituosa não apresenta uma relação de harmonia com a estrutura das formas culturais existentes. Isto era compreensível, porque a cultura humana foi criada sob as condições de um tipo biológico mais ou menos estável e, portanto, seus instrumentos materiais e ajustamentos, seus aparatos e institutos sociopsicológicos foram adaptados à sua organização psicofisiológica normal. O defeito, exigindo uma reorganização mais ou menos completa da mente da criança, arruinava o processo de assimilação na cultura humana (VALSINER E VEER, 1996, p.87).

O que ocorre portanto é que para a criança normal, os planos de desenvolvimento natural e cultural se fundem entre si, já que o desenvolvimento orgânico se realiza no meio cultural produzido e adequado aos considerados normais. Na criança com deficiência não se observa esta fusão. O desenvolvimento natural e o cultural divergem. A deficiência orgânica causa essa divergência. “A cultura da humanidade se dá em certas condições de estabilidade e empenho do tipo biológico humano. Por isso, os instrumentos materiais e adaptações, estão destinadas à organização psicofisiológica normal” (VYGOTSKY, 1995, p.17).

Na educação dos sujeitos portadores de necessidades especiais, o rumo tomado pelo processo educacional, pode levar a dois caminhos: um primeiro, que reforça a deficiência como condição limitadora, ou seja, atribui os limites da deficiência como causa para o fracasso no processo ensino-aprendizagem. E um segundo caminho que permite as trocas, as interações sociais e culturais, favorecendo novas alternativas no desenvolvimento das capacidades e do processo educacional destes sujeitos. Uma educação verdadeiramente social e coletiva.

Seguindo por esta visão tomada pela consciência social, destaca-se no grupo estudado a dificuldade encontrada em estabelecer um processo educacional rico e positivo dentre os caminhos da socialização. Para Vygotsky (1995, p.161) a educação dos alunos com necessidades especiais não se diferencia dos outros. Os alunos com deficiência alcançam o mesmo grau de desenvolvimento que os outros alunos, porém por outras vias. O que é necessário é que o professor ou o responsável pela educação, conheça estes caminhos e atue em sua prática pedagógica de maneira a estimular o processo de conhecimentos destes alunos.

[...] deve-se e pode-se tratar a criança cega ou surda-muda, do ponto de vista psicológico e pedagógico, da mesma maneira que a criança normal. [...] o desenvolvimento e a educação da criança com defeito é consideravelmente diferente da criança normal, e por isso, a técnica de ensino da criança com defeito, s empre se diferenciará por uma grande peculiaridade. Ler com a vista e ler com os dedos, é em princípio, o mesmo, porém no aspecto técnico é muito diferente.
A educação também não deve seguir a tendência de eliminar, ignorar o defeito ou a deficiência, mas sim, vencê-los, discutí-los, ou seja, promover a diversidade e a diferença na sala de aula, através da conquista do social. O educador deve conhecer as peculiaridades do aluno com deficiência, que como aponta Vygotsky, necessita de outros meios e caminhos para garantir seu processo de aprendizagem.

Neste sentido, procurando identificar as medidas consideradas necessárias para facilitar o processo de inclusão escolar, e assim proporcionar melhores condições de aprendizagem, os entrevistados revelaram que principalmente deve melhorar a preparação dos docentes (Figura 3). Ou seja, torna-se urgente e necessário a atualização dos professores da rede regular de ensino, para que promovam um processo de ensino-aprendizagem satisfatório para os alunos com deficiência visual.

Figura 3 - Medidas necessárias para Inclusão Escolar

A preparação dos docentes se faz também com a participação dos alunos, ou seja, possibilitando que o aluno portador de deficiência possa identificar e manifestar suas dúvidas e questionamentos, da mesma forma que este aluno seja encorajado a participar da aula, ensinando aos professores e alunos a melhor forma de conduzir a aula.

Em consequência disso, é muito importante também que as escolas tenham a disponibilidade de materiais pedagógicos para facilitar o aprendizado deste alunado. A partir daí, conforme os dados desta questão, é necessário promover debates e discussões no ambiente escolar, envolvendo não só professores e alunos, mas também os funcionários, pais, comunidades vizinhas, sobre a importância da educação inclusiva e das possibilidades de conviver e ensinar-aprender junto com alunos portadores de deficiência.

O cotidiano do processo educacional deve levar em consideração que a diferença precisa ser considerada, e não apenas analisada enquanto dualismo indiferença/diferença. É fundamental considerar as conseqüências sociais resultantes da limitação imposta pela deficiência.

Considerações finais

Um novo paradigma surge no que diz respeito às pessoas portadoras de necessidades especiais: a inclusão. Este processo não trata apenas de permitir o acesso destas pessoas na sociedade, mas sim, aceitar, possibilitar e dar condições para que estes sujeitos possam efetivamente se educar e se preparar para a realidade do mundo do trabalho.

Entende-se que a educação e o trabalho são as principais formas de participação social dos homens. É também a partir do ambiente escolar que a criança estabelece seu convívio social. Ambiente este que deve privilegiar e respeitar a diversidade e a diferença, ao invés da segregação.

Quanto às questões sobre o processo de escolarização, analisados nesta pesquisa, verificou-se que a maior parte dos alunod estudaram ou estudam em ambientes de ensino da rede regular. Embora estudando na escola regular, as dificuldades encontradas quanto às metodologias e atuação dos professores, e também à falta de acesso aos recursos pedagógicos, prejudicaram o processo educacional.

O isolamento ao qual muitos alunos com deficiência passam na sala de aula da rede regular de ensino, é atribuído a diversos fatores. A dificuldade expressa pelos professores em lidar com as questões da diferença, da deficiência e seus limites é um deles.

Neste sentido, o relacionamento, a comunicação e o convívio estabelecido com os colegas de classe, pode ter sido o ponto de partida que auxiliou na continuação dos estudos, permitindo que os pesquisados pudessem fazer parte e aprender no cotidiano escolar.

Verificou-se a necessidade imediata de melhorias na atualização dos professores da rede regular de ensino, para proporcionar um processo educacional satisfatório a todos os alunos, bem como maior disponibilidade de recursos e material pedagógico adaptado nas escolas.

Sendo assim, educando a sociedade para receber a pessoa portadora de deficiência, melhores condições estes sujeitos terão para se educar, em busca de um caminho para a inclusão escolar e profissional, enquanto cidadão social.


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TORRES, Elisabeth Fátima. As perspectivas de acesso ao Ensino Superior de Jovens e Adultos da Educação Especial. 2002. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.
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VYGOTSKY, L.S. Fundamentos de defectologia. Havana: Pueblo y Educación, 1995.


 
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