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Editorial

Esta edição veicula uma coletânea de textos reunidos em torno de uma temática: a inclusão. Tal domínio encontra razões na relevância que o paradigma da inclusão representa no âmbito acadêmico – na produção e disseminação do conhecimento – e no âmbito da prática educativa – nas relações implementadas junto aos sujeitos da ação inclusiva.

O conjunto de textos identificados com o objeto inclusão conserva entre si particularidades que os aproximam, pois têm uma perspectiva comum, mas, ao mesmo tempo, mantém uma especificidade de enfoques que os distancia e os diferencia. Isso talvez possa ser uma evidência de que a inclusão não é uma área fechada e com um foco de visão limitado. A inclusão parece constitui-se em um espaço próprio onde circulam idéias, cruzam experiências num permanente movimento de passagem e dispersão de saberes e fazeres.

O viés político e institucional da inclusão escolar é assunto abordado por Claudia Dutra Pereira e Claudia Maffini Griboski. Os assuntos mais presentes nos eventos que debatem a inclusão, como, por exemplo, à extensão da ação inclusiva para além dos alunos com necessidades educacionais especiais, são abordados por Rosita Edler Carvalho. A educação inclusiva como um novo processo de relação sócio-educacional na transição do paradigma da ciência moderna para a pós-moderna, é assunto do qual se envolve Reinoldo Marquezan. Andréas Hinz e Inês Boban a partir de sua ação profissional na Alemanha, discorrem sobre formulações conceituais e proposicionais a cerca da inclusão. Hugo Otto Beyer insere a obra de Lev Vygotski como elemento de suporte teórico para a prática e para o pensamento inclusivo. As relações da sala de aula, as estratégias de interação na escola e com a comunidade escolar são discutidos nos textos de Maristela Ferrari Ruy Guasselli, Andréa Tonini e Fabiane Adela Tonetto Costas, Josiane Pozzatti Dal-Forno eValeska Fortes de Oliveira, Karla Fernanda Wunder da Silva e Rosângela Von Mühlen Maciel e no texto de Daniela Karine Ramos. A formação de professores é abordada nos textos de Mônica Pagel Eidelwein e de Maria José de Oliveira Duboc. A partir da perspectiva foucaultiana Márcia Lise Lunardi discute a constituição e a produção da anormalidade dos sujeitos surdos. Também da perspectiva de Foucault, Ricardo Luiz de Bittencourt, refere os discursos assumidos e produzidos pela escola.

Todos esses textos alimentam o processo inclusivo que constitui num projeto que vai se ajustando e adquirindo consistência ao longo de sua realização.

Soraia Napoleão Freitas
Presidente da Comissão Editorial

 

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