... Cadernos :: edição: 2006 - N° 28 > Editorial
 
Editorial

Esta edição veicula uma coletânea de textos reunidos em torno de temáticas relacionadas à Educação Especial. Tal domínio encontra razões na relevância que o paradigma da inclusão representa no âmbito acadêmico – na produção e disseminação do conhecimento – e no âmbito da prática educativa – nas relações implementadas junto aos sujeitos da ação inclusiva.

O conjunto de textos identificados com o objeto educação especial conserva entre si particularidades que os aproximam, mas, ao mesmo tempo, mantêm uma especificidade de enfoques que os distancia e os diferencia. Isso talvez possa ser uma evidência de que a Educação Especial não é uma área fechada e com um foco de visão limitado. A Educação Especial parece constituir-se em um espaço próprio onde circulam idéias, cruzam experiências num permanente movimento de passagem e dispersão de saberes e fazeres.

A Constituição Federal de 1988 e a Constituição Mineira de 1989, são documentos referenciais, entre outros, analisados, onde Warlley Ferreira Sahb, detecta e aponta avanços com relação à Educação Especial, principalmente na Constituição do Estado de Minas Gerais, que apesar de respeitar os preceitos Constitucionais goza de uma autonomia administrativa.
Zenita Guenther, expõe uma visão geral do conhecimento existente sobre reconhecimento e localização de potencial, dotação e talento em escolares, detalhando pontos básicos de uma metodologia utilizada pelo CEDET – Centro para Desenvolvimento do Potencial e Talento, de Lavras/MG.

O viés político e educacional é assunto abordado por Larice B. Germani, Mara R. N. da Costa, Nara J. W. Vieira, na Proposta de política Pública Educacional para os Alunos com Altas Habilidades/Superdotação no Estado do Rio Grande do Sul.

Denise de Souza Fleith, discute, no seu texto, a importância da criatividade no desenvolvimento de Altas Habilidades/Superdotação, desmistificando a superdotação como sinônimo de QI alto.

O aprofundamento das relações existentes entre o desenvolvimento humano adulto, entendido como um desenvolvimento para toda a vida; a superdotação, entendida como característica do ser humano, é o que encontramos no texto de Juan José Mouriño Mosquera e Claus Dieter Stobäus.

Memória em dislexia do desenvolvimento e surdez congênita: Comparando arquiteturas cognitivas, é o assunto que nos trazem Fernando C. Capovilla e Alessandra G. S. Capovilla.

Abordando o tema da comunicação entre família ouvinte, filho surdo, escola para surdos e sua influência no desenvolvimento e aprendizagem do sujeito surdo; Vera Lúcia Marostega e Angela Nediane dos Santos, realizaram um estudo que teve como base teórica o enfoque Sócio-antropológico da surdez, com algumas contribuições dos Estudos Culturais.

Graciela Ormezzano, no seu texto, “A linguagem visual na Educação Especial”, apresenta algumas contribuições que a linguagem visual traz à Educação Especial para o fazer profissional do educador.

O enfoque psicopedagógico na relação família e escola é assunto do qual se envolve Reinoldo Marquezan.

Karina S. Molon e Luciane N. Smeha, relatam a troca de experiência entre irmãos de pessoas com necessidades especiais, participantes de um grupo de ajuda mútua, no manejo de seus sentimentos, no auxílio a seus familiares e no encontro de novas alternativas para lidar com as diferenças.

Com a proposta de criação de um “espaço” onde docentes possam perceber e entender seus sentimentos e angústias relacionados às pessoas deficientes, Taciano Luiz Coimbra Domingues e Mariana Rosa Cavalli, discutem a oferta e a demanda de cursos de atualização e capacitação para o atendimento a essas pessoas.

Anselmo Barce Furini, analisa o processo de inclusão na escola regular, num “panorama de percepções”; envolvendo crianças com necessidades educativas especiais, família e educadores.

A compreensão dos aspectos sociais, cognitivos e afetivos de pessoas com deficiência mental, por meio da análise da estrutura e conteúdo dos seus discursos; Camila M. Vieira, Mariana P. Cordeiro, Renata Scopini e Solange L. Ferreira, concluíram “Nossa sociedade necessita de estudos que se preocupem com a construção da criticidade e autonomia de pessoas com deficiência mental”.

A produção de conhecimento em Educação Especial tem sido um tema enfocado por pesquisadores da área. Eduardo José Manzini, com bolsistas de iniciação científica: Vanessa Cristina Paulino, Priscila Moreira Corrêa, Michele Oliveira da Silva e Mara Aparecida de Castilho Lopes; analisaram Dissertações e Teses em Educação Especial Produzidas no Programa de Pós – Graduação da UNESP – Marília (1993-2004), concluindo que o estudo implementado reveste-se de importância para a área de Educação Especial ao apresentar a produção de um Programa de Pós-Graduação.

Os textos que compõem este número foram escritos por pesquisadores que têm vivências culturais diferenciadas e estão impregnados por diferentes marcas teóricas. Esses diversos enfoques, enriquecem as reflexões e apresentam novos desafios para que se possa pensar e compartilhar no sentido de transformar e ampliar conhecimentos.

Soraia Napoleão Freitas
Presidente da Comissão Editorial
In memóriam
Ao professor Hugo Beyer, que foi colaborador/consultor/autor da Revista Educação Especial, do Centro de Educação da UFSM...

Que ele esteja sendo recompensado por tudo, na “Luz”. Nosso carinho... nosso agradecimento... nossa homenagem... nossa saudade.


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