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De Cadernos de Educação Especial a Revista Educação Especial: uma análise dos últimos 5 anos (2002 - 2006)1

Lúcia Maria Santos Tinós*
Sabrina Fernandes de Castro**
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O presente artigo é o relato de uma pesquisa realizada em um periódico na área de Educação Especial. O objetivo da pesquisa foi descrever o perfil geral de um periódico na área da Educação Especial, o periódico escolhido foi: a “Revista Educação Especial”. Assim, para iniciarmos o trabalho realizamos um mapeamento do número de volumes, de artigos e de páginas dos últimos cinco anos (2002 - 2006), para dar seguimento da atividade realizamos a análise a partir de três variáveis: Palavras-chave, autores e tipos de artigos. No período analisado foram 10 volumes, 41 instituições, 108 artigos, 186 autores e 348 palavras-chaves. Alguns resultados: 1) As temáticas predominantes no período foram: Inclusão e Altas Habilidades/ Superdotação; 2) A maioria dos autores é do Rio Grande do Sul; 82 autores são da Universidade Federal de Santa Maria; 3) 50 trabalhos foram publicados individualmente; 4) 60 dos 108 artigos são relatos de pesquisa, e 40 artigos são teóricos. Assim, conseguimos ter uma visão geral da revista nos últimos 5 anos, destacando as tendências de pesquisa e publicação nesse periódico, destacando a relevância desse periódico no atual cenário da Educação Especial no país.

Palavras-chave: Educação Especial. Periódico Científico. Revista Educação Especial.

 
2 Doutoranda em Educação Especial, do Programa de Pós-graduação em Educação Especial da Universidade Federal de São Carlos. Educadora do Curso de Pedagogia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto – FFCLRP - USP.
3 “Bolsista do CNPq – Brasil”, acadêmica do Curso de doutorado em Educação Especial, do Programa de Pós-graduação em Educação Especial da Universidade Federal de São Carlos. Participante do Grupo de Pesquisa CNPq: Educação Especial: Interação e Inclusão Social (UFSM).

Considerações iniciais

Estudos sobre periódicos científicos não são raros na literatura nacional. Pesquisas trazendo análises e reflexões de periódicos vêm sendo realizadas por diferentes autores, como Jannuzzi (2003), Manzini (2003), Omote (2003) e Hayashi et al (2006).

Neste sentido, observamos que pesquisas em estado da arte objetivando traçar perfis gerais da produção científica vêm se intensificando em nosso país, tornado um campo muito fecundo na Educação Especial.

O presente artigo é o relato de uma pesquisa com esse perfil. Pesquisa cujo objetivo foi descrever o perfil geral de um periódico na área da Educação Especial, o periódico escolhido foi: a “Revista Educação Especial”. Os critérios para escolha do periódico foram estabelecidos durante da disciplina “Estudos Avançados I”, levando-se em consideração a relevância e a qualidade (com base no sistema de avaliação Qualis da CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Assim, a Revista Educação Especial, foi escolhida por ser um periódico cientifico reconhecido como um dos mais importantes veículos de divulgação das pesquisas em educação especial no Brasil. Possui atualmente uma classificação Qualis C-Nacional, no sistema de avaliação da CAPES.

O recorte cronológico do presente trabalho foi os últimos cinco anos, ou seja, de 2002 a 2006. Foram consultados os exemplares impressos do periódico. Para iniciarmos o trabalho realizamos um mapeamento do número de volumes, de artigos e de páginas da Revista no período, para dar seguimento as atividades realizamos a análise a partir de três variáveis: Autores, palavras-chave e tipos de artigos.

Para a sistematização dos resultados em “Autores” destacamos dois itens: Número e origem dos autores (país, estado brasileiro e instituição). Em “Tipos de artigos” evidenciamos quarto tipos, quais sejam: Aspectos históricos, posicionamento, relato de pesquisa e teórico. Ainda, a partir dos relatos de pesquisa construímos um tópico “Detalhando os relatos de pesquisa” onde apresentamos: Os participantes (quem são e o número de participantes) e os tipos de necessidades/deficiência abordados nas pesquisas.

Cabe ressaltar que outros aspetos do periódico também foram levados em consideração, tais como: histórico, objetivos, designe gráfico, editores, periodicidade.

Assim, esse artigo está estruturado em seis eixos principais, baseado nas variáveis de análise, quais sejam: Contextualização; Dados Gerais, Palavras-chave; Autores; Tipos de artigos e; Detalhando os relatos de pesquisa. No primeiro eixo, contextualização, são apresentadas algumas informações sobre a revista, tais como: objetivo, histórico, designe gráfico, entre outras. Nos demais eixos são discutidos os resultados da pesquisa a partir das variáveis já informadas.

Contextualização

A Revista Educação Especial é uma publicação semestral, editada pelo Departamento de Educação Especial (EDE) do Centro de Educação (CE) e sob responsabilidade do Laboratório de Pesquisa e Documentação (LAPEDOC) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

O primeiro número da, então, Cadernos de Educação Especial circulou no ano de 1987. Naquele ano a UFSM completava 27 anos de fundação, 25 anos de Educação Especial na universidade. “Em março de 1962 iniciaram as aulas do primeiro Curso que foi marco na formação de recursos humanos para a Educação Especial em Santa Maria” (MARQUEZAN, 2002, p. 09). Em 1994 iniciou o Curso de Pós-Graduação em Educação Especial (especialização). No ano de 1998 no Programa de Pós-graduação em Educação (PPGE) na Linha de pesquisa Formação de Professores foi criado o Núcleo Temático: Educação em Circunstâncias Especiais e em 2004 foi implementada a Linha de pesquisa Educação Especial no PPGE.

Assim, a revista foi criada e mantida com o objetivo de “veicular estudos, pesquisas e experiências na área para abertura de novos horizontes, para o aprofundamento de temas concernentes e para o enriquecimento mútuo de todos os que se dedicam à Educação Especial” (MARQUEZAN, 2002, p. 10). FREITAS (2005) coloca que, atualmente, a revista é editada com os objetivos de “divulgar práticas educativas e novas experiências que sirvam de auxílio aos profissionais da educação e socializar resultados de projetos desenvolvidos não apenas na UFSM, mas em demais universidades nacionais e internacionais”.

Como vimos a Revista passou por uma alteração na nomenclatura até o ano de 2003, volume 22, a que hoje chamamos Revista Educação Especial era conhecida como “Cadernos de Educação Especial”.

Nesses últimos cinco anos visualizamos uma evolução do designe gráfico da capa da Revista. O atual designe foi implementado no volume 25 (2005).

Também observamos que no período analisado a revista teve uma troca na presidência do Conselho Editorial, nos anos de 2002 e 2003 presidia o Conselho o professor Reinoldo Marquezan, a partir de então a presidente é a professora doutora Soraia Napoleão Freitas.

Atualmente os Conselhos Editorial e Consultivo são compostos por professores/pareceristas de diferentes instituições do país. Assim, a Revista apresenta a avaliação dos artigos através da arbitragem por pares. Segundo a NORMATIZAÇÃO (2006): “a triagem será feita (1) pela Comissão Editorial e/ou (2) pelo Conselho Editorial e/ou (3) por Conselheiros ad hoc” (p. 364), primeiramente são encaminhados para dois pareceristas, em caso de discordância entre os pareceres, o artigo é enviado para avaliação de um terceiro parecerista. Os critérios de normatização da Revista estão baseados nas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) de 2003. No volume 28 (2006) apresenta exemplos de referências bibliográficas e formas de citação a serem utilizadas pelos autores.

O registro de periódico ISSN (International Standard Serials Number) da Revista é 1808-270X. Está disponível na internet via WWW (World Wide Web) no Portal de Periódicos da CAPES (http://www.periodicos.capes.gov.br) e no site da UFSM (http://www.ufsm.br/ce).

Esta indexada2 em três bases: 1) BBE – Biblioteca Brasileira de Educação (Brasília, INEP); 2) Edubase (Faculdade de Educação/UNICAMP – Campinas/SP – Brasil) e 3) LATINDEX – Sistema Regional de Información en Línea para Revistas Científicas de América Latina, el Caribe, España y Portugal. O fato de acumular indexações, segundo HAYASHI et al (2006) demonstra que a relevância científica desse periódico está em crescimento.

A partir do volume 24 (2004) está sendo publicada com apoio financeiro da CAPES, através do Programa de Apoio à Educação Especial (PROESP) da Secretaria de Educação Especial (SEESP) do Ministério da Educação (MEC).

Sistematização dos resultados: dados gerais

A tabela 1 apresenta os dados gerais da Revista no período analisado. Assim, consta: o número de revistas, de artigos, de páginas, além do número de autores por ano de publicação.

Tabela 1 - dados gerais

Com os dados apresentados é possível observar que a periodicidade proposta pela Revista foi seguida no período analisado.

Assim, temos um total de 10 volumes, 108 artigos, 1.321 páginas e 186 autores.

Em relação ao número de artigos publicados ao ano a Revista Educação Especial, vem publicando mais de 20 artigos em seus dois volumes anuais. Apenas, no ano de 2003, esse número foi inferior, 16 artigos publicados.

O periódico apresenta, por ano, um número grande de páginas. Salientamos que não existe nas orientações para publicação um número mínimo de páginas e sim, uma indicação para que os textos em geral tenham uma extensão entre 2.500 a 3.500 palavras (NORMATIZAÇÃO, 2006). Ressaltamos, ainda, que todos os artigos publicados, entre 2002 e 2006, são artigos científicos. Não constando relato de serviços, resenhas ou outros tipos de publicações. No volume número 20 (2002) há uma “apresentação” do Diretor do Centro de Educação da UFSM, professor doutor Jorge Luiz Cunha, e um “resgate histórico” de autoria do, então, presidente do Conselho Editorial, professor Reinoldo Marquezan, essa edição era comemorativa dos quinze anos de circulação da Revista. A partir do volume 23, nas páginas iniciais há o Editorial. A “apresentação”, o “resgate histórico” e os editoriais não foram analisados ou computados como artigos.

Sistematização dos resultados: palavras-chave

Como indicativos dos temas abordados nos artigos da Revista, realizamos um levantamento das palavras-chave. Nos 108 artigos analisados encontramos 348 palavras-chave. Das quais 21 apresentam mais de três incidências, 12 apresentam duas incidências e 117 apresentam uma.

Devido a baixa repetição agrupamos as palavras-chave em categorias por semelhança temática. Vejamos o gráfico 1 com as categorias temáticas que tiveram 10 ou mais palavras-chave agrupadas.

Gráfico 1 - Palavras-chave

A Revista mostra uma forte tendência em publicar trabalhos que abordam a temática Inclusão. Como o período estudado foi o de 2002 a 2006, inferimos que essa temática ganha força nas pesquisas acadêmicas, assim como, nas políticas públicas em Educação Especial, entre os quais: A Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 5 de outubro de 1988; A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) n.º 9394, de 20 de dezembro de 1996; O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), lei 8.069/90 e; As Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, de 2001. Em âmbito internacional, dos quais o Brasil é signatário, destacamos: A Declaração de Salamanca, aprovada no dia 10 de junho de 1994 em Salamanca na Espanha e; A Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Pessoa Portadora de Deficiência, decreto nº. 3956, de 8 de outubro de 2001. Todos esses ordenamentos jurídicos foram publicados pouco tempo antes do início do período analisado, o que evidência a tendência atual quanto a educação das pessoas com deficiência ser realizada, “preferencialmente”3 , nas classes comuns do ensino regular.

Outro tema com grande incidência é Altas Habilidades/Superdotação. Nesse caso, relacionamos o fato de que a Instituição ligada ao periódico realizou no ano de 2006 um evento nessa área quando inúmeros palestrantes e conferencistas publicaram suas produções no periódico. Historicamente sabemos que a questão das Altas Habilidades/Superdotação não tem muito espaço para pesquisa na área da Educação Especial em nosso país, “no âmbito acadêmico, uma simples consulta às bibliotecas de três grandes universidades, UFRGS, PUCRS e USP, mostra a carência de publicações e pesquisas nesta área” (PÉREZ, 2003, p. 08). Por isso, é importante evidenciar o grande valor para área dessa incidência temática.

O que nos causa estranheza é a baixa incidência da palavra Educação Especial (18), por ser uma Revista com essa proposta e, principalmente, por constatar-mos que a grande maioria dos artigos tratam dessa área do conhecimento. Observamos que essa temática é evidenciada na proposta editorial da revista: veicular a produção acadêmica “prioritariamente daqueles trabalhos mais diretamente vinculados com a Educação Especial, de forma a ampliar discussões sobre políticas públicas, demanda, formação de professores e temáticas emergentes” (MARQUEZAN, 2002, p. 11).

Sistematização dos resultados: autores

Buscamos nesse estudo verificar, também, o número de autores em cada artigo, a origem e instituição de procedência desses autores. Essas categorias, acima citadas, surgiram com a necessidade de caracterizar como os pesquisadores vêm trabalhando, individualmente ou em parcerias e quais Instituições ou locais de maior incidência de pesquisas publicadas no periódico.

Número de Autores por artigo

No gráfico 2 visualizamos a maneira como os pesquisadores vêm trabalhando e publicando nesse periódico. Este gráfico é composto pelas categorias: Um autor, dois, três, quatro e cinco autores.

Gráfico 2 - Número de autores por artigo

Nesse gráfico fica vislumbrado que existe uma predominância de artigos publicados individualmente ou em pequenas parcerias, 95 artigos. MIRANDA e PEREIRA (1996) colocam que a publicação de artigos individuais é uma inovação na produção cientifica e vem cada vez mais se intensificando. Ainda, em relação a publicações individuais surgiram-nos duas inquietações: Será que as imposições, em relação ao número de publicação, das agências de fomento esta levando os pesquisadores a realizarem trabalhos que possam ser publicados mais rápido, sendo o trabalho individual uma maneira mais fácil para isso? Outro fator poderia ser a valorização, por essas agências, de publicações individuais em detrimento das parcerias em grupos maiores.

Fica evidenciado, que a produção de artigos não acontece como resultado de investigações que envolvem muitos pesquisadores. Outra questão desvelada nesse trabalho, em relação aos números de autores é que, muitas vezes, quando a publicação é realizada por dois autores, são resultantes dos trabalhos realizados nos Programas de Pós-Graduação.

Assim, do total de 186 autores: Encontramos 50 autores (o que corresponde a 46%) que trabalharam individualmente, 45 duplas (42%), 7 trios (6%), 5 grupos de quatro (5%) e um grupos de cinco (1%).

Origem dos Autores

Quanto a origem dos autores podemos observar a presença de autores oriundos de outros países, quais sejam: Alemanha, Espanha e Portugal. Ainda assim, do Brasil procedem 96% dos autores que publicaram no periódico nesse período. Vejamos a tabela 2:

Tabela 2 - Origem dos autores (países)

Uma das orientações para publicação nesse periódico permite que os textos sejam escritos, além do idioma português, em espanhol, francês, inglês, alemão ou italiano. O que para HAYASHI et al (2006) é um “fator que mostra a abertura da revista em receber contribuições de pesquisadores de outros países” (p. 388).

No período analisado encontramos dois textos em espanhol e não foram publicados artigos nas demais línguas estrangeiras.

A tabela 3 mostra a origem dos autores por Estado no nosso país. Considerando que a Revista é ligada diretamente à Universidade Federal de Santa Maria no Rio Grande do Sul, é natural que o maior número de autores (67%) sejam desse Estado. O Estado de São Paulo é o segundo com um índice de publicação de 12%.

Tabela 3 - Origem dos autores (Estados Brasileiros)

Destacamos a inexistência de artigos da região Norte e a baixa incidência da região Nordeste. Sendo a prevalência da região Sul com 134 autores.

Não podemos pensar que por isso, não se vem realizando estudos e pesquisas na área nos outros estados e regiões do país. O que devemos é dar atenção à necessidade de apresentar esse periódico como mais uma possibilidade para a publicação de trabalhos independentemente da região onde o mesmo se concretizou.

A tabela 4 apresenta as Instituições que tiveram mais de quatro autores publicando nesse periódico. Dos 186 autores, dois não especificaram a instituições de origem. Assim, dos 184 autores que especificaram encontramos 41 instituições diferentes. Destaca-se que dentre essas 41 temos 2 autores da SEESP do MEC e apenas um artigo com autor proveniente de escola de Educação Básica.

Tabela 4 - Origem dos autores (Instituições)

Assim, dos 186 autores que publicaram nesse periódico nos últimos 5 anos encontramos 41 instituições diferentes, sendo que a grande maioria é dos Estados da região Sul.

Sistematização dos resultados: tipos de artigo

Com a análise dos tipos de artigos identificamos os seguintes gêneros textuais no periódico: Relato de Pesquisa (RP), Teóricos, Posicionamento e Aspectos Históricos.

Para um melhor entendimento definimos esses gêneros da seguinte maneira:

· Relato de Pesquisa: trabalhos tanto em nível de graduação (iniciação cientifica) até teses de doutorado, segundo Günther (2004):

Embora este texto tenha sido concebido de trabalhos baseados em dados empíricos, aplica-se igualmente a trabalhos fundamentados em dados secundários, como arquivos ou resenhas de literatura. Neste texto, empírico refere-se a quaisquer trabalhos que colecionem, sistematizem, analisem, avaliem e sumarizem dados, sejam coletados pelo autor ou secundários (de fontes e arquivos estatísticos públicos) ou trabalhos empíricos submetidos a uma metaanálise qualitativa - a revisão de literatura - ou quantitativa (p. 02).

· Teóricos: são textos de análise de construtos teóricos, baseados unicamente em referências bibliográficos.

· Posicionamento: identifica-se por ser um texto caracterizado como ensaio. O objetivo é instituir debate, discutir, emitir opinião, posicionar-se, geralmente sobre algum tema polêmico.

· Aspectos históricos: definimos como sendo textos que relatam acontecimentos, que abordam, por exemplo, história de instituições, memórias ou biografias.

Assim, na tabela 5 podemos observar a distribuição dos tipos de artigos por ano de publicação do periódico.

Tabela 5 - Tipos de Artigos

Essa tabela desvela que na maioria dos anos estudados o RP foi o tipo de artigo que apresentou maior incidência, 60 artigos, o que corresponde a 55% dos artigos. Assim, podemos inferir que muitas publicações estão relacionadas aos resultados de trabalhos realizados nos meios acadêmicos, principalmente nos Programas de Pós - Graduação. Conforme o contexto histórico da revista, ela se propõe a divulgação de pesquisas acadêmicas na área de Educação Especial.

Os artigos teóricos, também, apresentam uma grande incidência, 40 (37%) artigos. Os demais, posicionamento e aspectos históricos tiveram uma baixa incidência, respectivamente, 5 e 3 artigos.

Para uma melhor compreensão do perfil da revista, construímos um tópico denominado “Detalhando os Relatos de pesquisa” onde apresentamos alguns dados desse tipo de artigo. Vejamos, pois, a seguir.

Sistematização dos resultados: detalhando os relatos de pesquisa

Quem são os participantes das pesquisas

Dos 60 relatos de pesquisa 41 especificam claramente os sujeitos da pesquisa. Vejamos na tabela 6:

Tabela 6 – Quem são os participantes da pesquisa

Os alunos são os que mais participaram das pesquisas relatadas no periódico, estando presente em quatro categorias: “alunos”, “escolas”, “alunos e professores” e “profissionais, alunos e pais”, estando presente assim em 18 pesquisas.

Os professores estão em cinco categorias, totalizando 17 participações: “Professores”, “escolas”, “alunos e professores”, “famílias, professores e instrutor de LIBRAS” e “professores, educadores especiais e instrutor de LIBRAS”.

Número de Participantes nas pesquisas

Dos 60 RP apenas 22 estudos deixam claro o número de participantes da pesquisa:

Tabela 7 - Número de participantes nas pesquisas

Podemos observar que a incidência maior é de estudos com um número reduzido de participantes, apenas três tiveram mais de 100 participantes.

Tipos de necessidade/deficiência abordadas nas pesquisas

Quanto aos tipos de necessidade/deficiência abordadas dos 60 RP 38 deixaram explícitos o tipo de necessidade/deficiência foco da pesquisa. Muitos fazem referência a salas de aulas, professores de alunos incluídos, equipe diretiva. Há ainda os relatos de pesquisa histórica ou documental. Além de análise de dissertações ou teses. A tabela 8 apresenta os tipos de necessidade ou deficiência que os 38 artigos de RP abordam:

Tabela 8 - Tipos de necessidades/deficiência

Como podemos observar o maior índice é de “necessidades especiais” com 15 ocorrências, seguido pela deficiência mental e surdez, 5 cada. Com certeza, o termo “necessidades especiais” utilizado seja um reflexo das políticas de nomenclatura e conceituação do período.

Considerações finais

No primeiro semestre de 2007 nos defrontamos com a atividade de analisar um periódico na área da Educação Especial, mais que um desafio, tivemos a oportunidade de conhecer melhor a Revista Educação Especial, além de outros periódicos da área.

Assim, foram 10 volumes, 41 instituições, 108 artigos, 186 autores, 348 palavras-chave. Conseguimos ter uma visão geral da revista nos últimos 5 anos, destacando as tendências de pesquisa e publicação nesse periódico.

Com base nos resultados descritos neste artigo, algumas conclusões podem ser feitas: A temática Inclusão é a de maior tendência de publicação nesse periódico. Outro tema muito publicado é Altas Habilidades/Superdotação.

Observamos que na Revista há uma predominância de artigos publicados individualmente ou em pequenas parcerias. De 186 autores: 50 trabalharam individualmente e 90 trabalharam em duplas (45 duplas).

Podemos constatar que além do Brasil, outros paises foram representados, quais sejam: Alemanha, Espanha e Portugal. Também, dos 184 autores que especificaram as instituições encontramos 41 instituições diferentes.

Outros números: Dos 108 artigos encontrados 60 são relatos de pesquisa, 40 teóricos, 5 de posicionamento e 3 de aspectos históricos. Os alunos são os que mais participaram das pesquisas relatadas no periódico. A incidência maior é de estudos com um número reduzido de participantes, apenas três estudos tiveram mais de 100 participantes.

Ao finalizarmos essa pesquisa concluímos que a Revista Educação Especial vem sofrendo inúmeras mudanças nos últimos anos, desde o designe gráfico, conselho editorial até a normatização. Possui atualmente uma classificação C-Nacional qualis CAPES, o que demonstra sua importância no cenário atual da Educação Especial no país.


Referências

FREITAS, S. N. Considerações acerca da produção de artigos científicos em Educação Especial: uma análise da Revista Educação Especial CE/UFSM. In: II CONGRESSO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO ESPECIAL, 2.; ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM EDUCAÇÃO ESPECIAL, 2., 2005, São Carlos. [Anais...] São Carlos, 2005.
GÜNTHER, H. Como elaborar um relato de pesquisa. Brasília: UnB, 2004. Série: Planejamento de Pesquisa nas Ciências Sociais, 02. Disponível em: www.unb.br/ip/lpa/pdf/02Sugestoes.pdf. 2004.
HAYASHI M. C. P. I. et. al. Competências informacionais para utilização da análise bibliométrica em educação e Educação Especial. Educação Temática Digital, Campinas, v. 7, n. 1, p. 9-22, dez. 2005.
HAYASHI M. C. P. I. et. al. Avaliação de aspectos formais em quatro periódicos científicos na area de Educação Especial. Revista Brasileira de Educação Especial, Marília, v. 12, n. 3, p. 369-392, set./dez. 2006.
JANNUZZI, G. S. de. Algumas reflexões sobre a revista Brasileira de Educação Especial. Revista Brasileira de Educação Especial, Marília, v. 09, n. 1, p. 07-12, jan/jun. 2003.
MANZINI, E. J. Análise de artigos da Revista Brasileira de Educação Especial (1992 - 2002). Revista Brasileira de Educação Especial, Marília, v. 09, n. 1, p. 13-23, Jan./Jun. 2003.
MARQUEZAN, R. Cadernos de Educação Especial. Cadernos Educação Especial, Santa Maria, v. 02, n. 20, p. 09-11, 2002.
MIRANDA, D. B de,; PEREIRA, M. de N. F. O periódico científico como veículo de comunicação: uma revisão de literatura. Ciência da Informação. Brasília, v. 25, n. 3, p. 375-382, set./dez. 1996.
NORMATIZAÇÃO. Revista Educação Especial, Santa Maria, v. 02, n. 28, p. 361-364, 2006.
OMOTE, S. Algumas tendências (ou modismos?) recentes em Educação Especial e a Revista Brasileira de Educação Especial. Revista Brasileira de Educação Especial, Marília, v. 09, n. 1, p. 25-38, jan./jun. 2003.
PÉREZ, S. G. P. B. O aluno com altas habilidades/superdotação: uma criança que não é o que deve ser ou e o que não deve ser? In: STOBÄUS, C. D.; MOSQUERA, J. J. M. (Orgs.). Educação Especial: em direção à educação inclusiva. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2003.


Notas

1 Trabalho realizado na disciplina “Estudos Avançados I”, ministrada pelas professoras Cláudia Maria Simões Martinez, Deisy das Graças de Souza e Maria Stella Coutinho de Alcântara Gil. Disciplina obrigatória integrante da grade curricular do curso de Doutorado em Educação Especial do Programa de Pós-graduação em Educação Especial, do Centro de Educação e Ciências Humanas, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
2 Informações obtidas no volume 28.
3 Termo utilizado em alguns desses documentos, como a LDB nº 9394/96.
4 Língua Brasileira de Sinais.

Correspondência

Sabrina Fernandes de Castro - Av. Itaimbé, 221/404. Centro. Santa Maria - RS.
E-mail: sabrinafcastro@gmail.com.br.
Lúcia Maria Santos Tinós - Av. Guatambú, 74. Jardim Recreio. Ribeirão Preto – SP.
E- mail: ltinos@ffclrp.usp.br


 
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