... Edição: 2003 - Vol. 28 - N° 02 > Editorial
 
Editorial

É com muita satisfação que estamos apresentando o presente volume da Revista Educação. Nesse número, temos a publicação de um Dossiê sobre Educação Musical, onde oito artigos compõem uma coletânea de temas interessantes que visam suscitar um debate significativo na área em foco. Além do Dossiê, são apresentados outros artigos de interesse ao campo da educação.

O Dossiê foi organizado a partir de uma parceria entre a Revista Educação e o Grupo de Pesquisa “FAPEM: Formação, ação e profissionalização de professores em educação musical”, tendo a líder desse grupo, Profª Drª Cláudia Ribeiro Bellochio, como organizadora dos textos que o compõem.

O significado maior de tal centralidade temática está na construção de um debate necessário no campo da educação sobre questões da educação musical, sobretudo em questões que envolvam o eixo educação musical, formação e práticas educativas de professores, nos vários focos que são apontados nos textos: educação musical no mundo de hoje, educação musical a distância na formação docente; formação universitária do professor de música; práticas colaborativas na formação profissional de professores de música, a diversidade na aula de música, a subjetivação em vivências musicais, educação especial e música, interação musical em bebês.
Na sessão do Dossiê, são apresentados oito textos, atuais e inéditos. Em “A Educação Musical no mundo de hoje: um olhar crítico sobre a formação de professores”, Graça Mota aborda criticamente alguns aspectos relacionados com o papel da educação musical na atualidade e suas relações com a formação de professores. A autora discute seu foco e traça algumas conexões com uma possível prática musical transformadora e um currículo de formação de professores reorganizados.

No artigo “A formação universitária do professor de música e as políticas educacionais nas reformas curriculares”, Teresa da A. Novo Mateiro analisa as políticas educacionais e as orientações curriculares do curso de Licenciatura em Educação Artística – habilitação Música. Aborda temas como a organização do saber, a hierarquia dos conhecimentos, a formação acadêmica e a realidade, a distância entre o conhecimento musical e pedagógico na formação docente, os conhecimentos necessários à formação do educador musical, entre outros.

Em “Formação de professores e educação musical: a construção de dois projetos colaborativos”, Cláudia R. Bellochio apresenta dados de pesquisa e extensão de trabalhos realizados junto ao LEM: Laboratório de Educação Musical do CE-UFSM. Trata-se da apresentação de trabalhos colaborativos realizados entre acadêmicos dos Cursos de Pedagogia e Licenciatura em Música e desses com a escola. O texto aborda questões da investigação-ação educacional e traz exemplos práticos de vivências compartilhadas na formação inicial e continuada.

“Educação musical a distância e formação de professores” é o artigo assinado por Cássia Virgínia C. de Souza. Nele, a autora chama a atenção dos educadores musicais para a educação a distância, principalmente na formação de professores. O texto apresenta alguns resultados de uma pesquisa que visou estudar as condições de um programa de educação musical a distância- EMUSAD. Salienta, a partir do estudo, a importância pedagógica dos programas de educação musical a distância para professores.

Viviane Beineke é autora do texto “A diversidade em sala de aula: um olhar para a prática de uma professora de música”. Reconhecer a diversidade inerente ao ser humano é, segundo a autora, condição essencial para o professor mobilizar formas de trabalho diferenciadas no contexto da sala de aula. A partir da análise da prática educativa de uma professora de música, o texto enfoca como a diversidade pode ser trabalhada no contexto das práticas educativas de professores na escola.
Em “A subjetivação em vivências musicais: um processo pedagógico”, Vânia Müller discorre sobre uma experiência prática desenvolvida com alunos de graduação em Música, licenciatura e bacharelado, na UDESC/Florianópolis. O texto traz reflexões sobre o imbricamento da subjetivação com a criação e improvisação musicais, a partir da análise de depoimentos escritos pelos alunos da disciplina “Laboratório”. São discutidos conceitos de singularidade, diversidade, autoria, autonomia, homogeneização e subjetividades.

O texto “Música e educação especial: uma possibilidade concreta para promover o desenvolvimento de indivíduos”, de Ilza Zenker L. Joly, objetiva apresentar algumas idéias relacionadas ao ensino de música em indivíduos com necessidades especiais. A autora questiona se existem diferenças significativas no processo ensino-aprendizagem de música para crianças com necessidades especiais? Temos princípios, olhares, sensações e percepções específicos para esse contexto educacional? Como fica a aula de música? De que maneira nos envolvemos?

Encerrando o Dossiê, o texto de Esther Beyer, “A interação musical em bebês”, relata uma pesquisa realizada com o propósito de observar de que modo a relação do bebê com seus pais influencia sua interação com a música. O texto apresenta excertos de cenas transcritas de vídeos do projeto “Música para bebês” da UFRGS. Paralelamente a autora apresenta o uso de instrumentos pelos bebês, suas trocas sonoras com os pais, seus movimentos, a fim de delinear as características mais propícias à interação musical com crianças pequenas.

A segunda parte da revista é composta por artigos de temas diversos.

O texto de Amaury C. de Moraes, “Cinema, TV e cidadania: revendo posições” apresenta, a partir de dois filmes que tratam de políticas de tolerância e de inclusão nos Estados Unidos dos anos 50, uma discussão entre cidadania e mídia como um tema atual de educação.

“Representações sociais sobre a deficiência em documentos oficiais” é o artigo escrito por Renata C. Carvalho e Reinoldo Marchezan. Nele, os autores objetivam verificar as representações sociais de deficiência que constam na LDB 9394/96 e no PNE 10.172/01. Os resultados evidenciam visões antagônicas e dicotômicas presentes na atual política educacional, demonstrando a existência de representações sociais extremas de deficiência referentes ao modelo médico e social de deficiência.

Fechando essa revista, Marion M. Cunha e Jorge Luiz da Cunha apresentam o texto “A identidade profissional e a preparação para o trabalho no Centro de Formação Profissional de Santa Maria (RFFSA/SENAI) – 1973 a 1996”. Os autores centram a discussão na construção da identidade profissional na escola ferroviária de Santa Maria, Centro de Formação Profissional – Acordo RFFSA/SENAI – RS. Concluem que a identidade profissional implicava, em última instância, mas dissimulando seu verdadeiro objetivo, no ajustamento dos jovens aos interesses do mercado de trabalho do setor industrial, controlando seus conteúdos de vida e perspectivas profissionais.

Esperamos que os nossos leitores tenham uma prazerosa leitura. Reiteramos o convite para que sejam enviados novos textos para publicação na Revista Educação CE/UFSM.


Atenciosamente

Profª Cláudia Ribeiro Bellochio
Presidente da Comissão Editorial


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