... Edição: 2005 - Vol. 30 - N° 01 > Editorial
 
Editorial

É com muita alegria que estamos apresentando o volume 1/2005 da Revista Educação e informando aos nossos leitores que o periódico está disponível no Portal CAPES.

Neste número, temos a publicação de artigos sobre temáticas diversificadas, tais como: organização cultural das famílias, avaliação, cinema e imagens de escola e de professor, universidade, pesquisa em educação e comunicação, orientação educacional, oficinas de música, dança de rua e rap, história da arte e currículo, escolas agrícolas, educação especial, livros didáticos.

A diversidade dos temas justifica-se pela política editorial que pretende que a Revista seja um espaço para discussão sobre diferentes pontos de vista envolvidos na complexidade da educação.

No texto “Ameaças à funcionalidade familiar: uma perspectiva sistêmica da cultura organizacional da(s) famílias”, Filipe Nave e Saul de Jesus apresentam uma abordagem sistêmica da família e suas influências nos comportamentos de seus membros. Buscam apontar sugestões de estilos de interação familiar mais saudáveis.

Em “A produção de subjetividade no processo de avaliação”, Osvaldo Cerezer e Kachia Téchio pretendem analisar o processo de avaliação a partir de elementos que o compõe. A argumentação é elaborada a partir da constatação da falta de conhecimento, por parte de muitos professores, dos processos subjetivos que estão implicados na avaliação.

“Ser e Ter, Escutar e Trabalhar” é o artigo assinado por Carolina Catini. Nele, a autora apresenta o filme ‘Ser e Ter’ e argumenta sobre o impacto da produção cinematográfica na constante reformulação do imaginário social acerca da escola e do professor. Em primeiro lugar, critica as interpretações positivas da prática pedagógica ‘retratada’ no filme e após tece algumas considerações sobre a produção do imaginário social acerca do trabalho docente e suas possíveis implicações práticas.

Eugênia Barichello e Aliandra Barlete são autoras do texto “A universidade na sociedade em rede”. O artigo analisa os dispositivos de comunicação por meio dos quais a universidade contemporânea constrói sua visibilidade e legitimidade institucional. O trabalho decorre de um estudo comparativo dos sítios eletrônicos das assessorias internacionais de três universidades gaúchas.

Em “Texto e Contexto: questões metodológicas da pesquisa em educação e comunicação”, Ademilson Soares apresenta questões metodológicas que envolvem a interpretação das notícias sobre escolas públicas divulgadas, no jornal Estado de Minas Gerais, entre 1930 e 1934. As notícias, sobre escola pública, encontradas no Jornal expressam de forma viva e contraditória as transformações de um país que dava seus primeiros passos no caminho da democracia política e social.

O texto “A autoridade no processo educacional: os orientadores educacionais como mediadores das relações de poder”, de Maiane Ourique e Elisete Tomazetti apresenta dados de uma pesquisa que teve como objetivos discutir a influência da autoridade na prática educativa e identificar a relevância dada a esta questão pelos Orientadores Educacionais. Ao perceber a autoridade como elemento fundamental na condução de processos de liberdade, o orientador educacional entende também que seu papel é de proporcionar práticas intersubjetivas em que a diferença seja vista como possibilidade de crescimento pessoal/social e de libertação.

Cristiane Almeida, no artigo “Oficinas de Música: será a formação acadêmica necessária”, reflete sobre os locais de atuação dos professores de música na atualidade. Dentre esses, as oficinas de música. O texto é conduzido pela análise das falas dos oficineiros relacionadas a questões que envolvem a formação de professores de música.

O artigo “A dança de rua e o rap no cotidiano de adolescentes privados de liberdade” é de autoria de Ângela Lena e Angelita Jaeger. O texto decorre de um estudo realizado com internos no CASE de Santa Maria/RS, sobre as representações sociais que os adolescentes têm da dança de rua, destacando-se a preferência pelo estilo break. Neste contexto, também se verificou que as letras dos raps traziam uma representação ambígua. Assim, os movimentos da dança de rua e as letras dos raps representam uma possibilidade de desabafo de angústias e conflitos, identificando culturalmente os adolescentes privados de liberdade.

Téoura Benetti é autora do artigo “Identidade da ação pedagógica: uma abordagem tecida através da história da arte no currículo do ensino médio”. O texto apresenta algumas reflexões sobre o currículo no âmbito formal, sobre os planos de trabalhos dos professores e sobre a ação pedagógica.

“Caracterização dos diretores das escolas agrícolas de educação profissional de nível técnico e de suas percepções acerca da agricultura e do meio rural” é de autoria de Francisco Leite. O trabalho descreve as características demográficas dos diretores(as) das escolas agrícolas brasileiras e a forma como percebem a agropecuária e o meio rural. Os resultados apontam que a maioria dos diretores é do sexo masculino, tem alto nível de escolarização e significativa experiência docente.

Anelice Ribetto é autora do artigo “Currículos praticados e redes de saberes na educação especial”. Neste trabalho, apresenta as maneiras como currículos vão sendo negociados e praticados em uma escola especial estadual. Pretende compartilhar as maneiras sobre como tecer currículos em rede e concretizá-los em ações coletivas dentro e fora dos espaçostempos escolares, e acima de tudo, negociar um currículo incerto, inacabado e atravessado pela diferença: diferenças que, construídas intersubjetivamente, ao mesmo tempo, não podem se controladas, limadas, maquiadas ou incluídas, feitas invisíveis.

“Alcances e fragilidade: os temas de vida e morte nos livros didáticos” é assinado por Giane Müller. A autora objetiva analisar as formas como os temas vida e morte são abordados na educação. Segundo sua leitura, pode-se afirmar que tanto nos documentos oficiais quanto nos livros didáticos, os temas vida e morte estão presentes, mas se comparados entre si, prevalecem as ocorrências para a vida. Acredita que a educação possa promover a desmistificação da morte, preparando os sujeitos, desde cedo, tanto para a vida quanto para a morte.

Fechando esse número da Revista, Luciana Rigodanzo e Beatriz Unfer apresentam o artigo “Análise dos livros didáticos do ensino fundamental e médio quanto aos conteúdos de saúde bucal”. As autoras avaliam as informações contidas sobre saúde bucal em 48 livros utilizados em escolas públicas, de ensino fundamental e médio, em Santa Maria/RS. De acordo com os resultados obtidos neste trabalho, pode-se concluir pela necessidade de melhor expor os conteúdos didáticos de saúde bucal, presentes nos livros utilizados pelas escolas públicas e/ou privadas.

Esperamos que os nossos leitores tenham uma leitura prazerosa. Reiteramos o convite para que sejam submetidos textos para publicação na Revista Educação CE/UFSM. Para o próximo número estamos preparando um Dossiê sobre “História e Educação”.

Cláudia Ribeiro Bellochio
Presidente da Comissão Editorial


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