... Edição: 2005 - Vol. 30 - N° 02 > Editorial
 
Editorial
Aos nossos leitores,

É com satisfação que apresentamos o presente número da Revista Educação, do Centro de Educação, da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. A Revista Educação também pode ser acessada virtualmente através do Portal Capes.

A publicação do Dossiê História da Educação, resultado da colaboração de reconhecidos pesquisadores da área, foi planejada ainda no início de 2005 e objetiva responder à enorme expansão desse campo de investigação em Educação. Nos últimos anos o volume e a qualidade das pesquisas em História da Educação resultou: - na criação de associações e grupos de pesquisas regionais e na fundação da Sociedade Brasileira de História da Educação, com suas revistas correntes de excelente qualidade e reconhecimento nacional e internacional; - na implantação de linhas de pesquisa em História da Educação nos melhores Programas de Pós-Graduação do país; - na extensão das linhas editorias de editoras universitárias e comerciais do Brasil para atender as demandas de divulgação dos resultados das pesquisas e do ensino da História da Educação. O Centro de Educação da UFSM, através de uma de suas principais revistas, não poderia deixar de corresponder a essa realidade oportunizando a divulgação e a reflexão acadêmicas com a publicação do Dossiê História da Educação.

Neste dossiê são apresentados 12 artigos que abrangem um largo período histórico e que se intercruzam temática e teoricamente.

O primeiro artigo, História da formação docente no Brasil: três momentos decisivos, de Dermeval Saviani, reconstrói a trajetória histórica da formação docente no Brasil, destacando seus principais momentos. A elaboração do trabalho de Saviani se apóia em fontes primárias constituídas pelos documentos legais característicos do período estudado e nas fontes secundárias representadas pelos trabalhos acadêmicos já produzidos sobre a história da formação docente no Brasil.

No texto A Reforma Pombalina dos estudos secundários e seu impacto no processo de profissionalização do professor, Ana Waleska Pollo Mendonça analisa o impacto da Reforma Pombalina no processo de profissionalização do professor. Através da emergência de um sistema de ensino estatal, decorrência da política de Pombal, foram criadas as condições necessárias ao desencadeamento de um processo de profissionalização docente, não como vontade corporativa, mas como resultado próprio da ação e do controle do Estado.

Elomar Tambara, apresenta O ensino mútuo na Província Cisplatina. Uma investigação sobre a constituição da Escola Lancasteriana de ensino mútuo instalada em Montevidéu em 1821 como iniciativa da Sociedade Lancasteriana. Um estudo sobre um dos primeiros atos concretos da iniciativa oficial de criação de um sistema de ensino estruturado sob o método do ensino mútuo no Brasil. Tambara lembra que a Cisplatina, em 1821, ainda fazia parte do Reino Unido Brasil, Portugal e Algarves.

Em nome de uma formação científica: um estudo sobre a Escola Normal da Corte é o título do artigo de José Gonçalves Gondra e Marina Natsume Uekane. O exame dos saberes prescritos para serem ensinados na Escola Normal da Corte, em 1880, no momento de sua afirmação enquanto um modelo para a formação inicial de professores primários, constitui-se em um estudo que busca observar quais conhecimentos eram necessários a este “novo” professor, formado por meio do modelo escolarizado.

A pesquisa que tem por objetivo investigar a trajetória histórica da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) resultou no trabalho intitulado Do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio ao Ministério da Educação e Cultura: a trajetória histórica da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Célia Regina Otranto.

Buscando analisar a disseminação do chamado “escolanovismo” no Brasil e examinando o modo pelo qual o impresso funcionou como dispositivo de configuração do campo da pedagogia e da conformação das práticas escolares a ele relacionadas, Marta Maria Chagas de Carvalho contribui para a concretização do Dossiê História da Educação com o artigo Pedagogia da Escola Nova e usos do impresso: itinerário de uma investigação. O trabalho resume, como afirma a própria autora, estudos de uma linha de investigação iniciada em 1991, com o desenvolvimento do projeto Escola Nova, saberes pedagógicos e práticas escolares: as estratégias do impresso (1927-1945), financiado pelo CNPq.

Libânia Nacif Xavier é a autora do artigo O debate em torno da nacionalização do ensino na Era Vargas. Aborda o debate em torno da nacionalização do ensino na Era Vargas. Durante ao Estado Novo, a questão central parece ter sido: - para que serve a educação? Já durante a década de 1950, o contexto internacional do pós-guerra aliado ao retorno à democracia no Brasil restabelece a questão fundamental da educação, sintetizada na pergunta: - a quem dever servir a educação pública?

Os Manuais de Civilidade, presentes na Escola Normal entre as décadas de 1930 e 1960, são analisados no trabalho História, Educação e Civilidades: a correspondência como um saber escolar na Escolar Normal entre as décadas de 1930 a 1960, escrito por Maria Teresa Santos Cunha. Os manuais prescreviam normas para as artes de escrever e eram recomendados como leituras para a formação de professoras e professores do Ensino Primário. Fixavam regras que serviam de apoio para a aprendizagem da correspondência, transformando-a em um saber escolarizado.

De autoria de Maria Helena Menna Barreto Abrahão, é o artigo intitulado Pesquisa Autobiográfica: contribuição para a História da Educação e de educadores no Rio Grande do Sul. Inserido na temática metodologias, arquivos e fontes, o artigo aborda pesquisa intitulada Profissionalização docente e identidade – narrativas na primeira pessoa, problematizando modos de trabalhar com narrativas, fontes documentais e fontes orais, para contruir Histórias de Vida de educadores sul-rio-grandenses.

Abordando a literatura como fonte para a História da Educação, Eliane Marta Teixeira Lopes, escreve História da Educação e Literatura: algumas idéias e notas. No reconhecimento de que a literatura pode oferecer para a história uma representação do estado da humanidade num determinado tempo e num determinado lugar, a autora analisa em profundidade uma possibilidade metodológica que contribui para revelar aquilo que as fontes oficiais não cuidaram de guardar. O que a literatura revela de um tempo, de um lugar e de seus sujeitos, pode ajudar a dar conta da rica complexidade do humano.

As potencialidades da fotografia como fonte para a História da Educação são exploradas por Diana Gonçalves Vidal e Rachel Duarte Abdala, no texto A fotografia como fonte para a História da Educação: questões teórico-metodológicas e de pesquisa. Estudando o caso dos fotógrafos Augusto Malta e Nicolas Alagemovits, no Rio de Janeiro, durante a reforma educacional realizada por Fernando de Azevedo entre os anos de 1927 e 1930, o trabalho examina os aspectos formais e de conteúdo das imagens produzidas buscando entender as razões que levaram o educador a constituir duas referências estéticas para os empreendimentos da reforma.

Encerrando o Dossiê História da Educação, da Revista Educação, o artigo de Maria Saleti Lock Vogt e Elioenai Dornelles Alves, com o título Revisão teórica sobre a educação de adultos para uma aproximação com a andragogia, consiste em uma revisão teórica sobre os pressupostos que orientam a educação de adultos com o propósito de buscar uma aproximação com a andragogia. O texto analisa o conceito e a evolução da educação de adultos desde a Revolução Industrial até nossos dias.

Esperamos ter contribuido com esta edição para o fortalecimento dos canais de divulgação da crescente produção científica no campo da História da Educação. Agradecemos a todos os colaborados e reiteramos o convite para que nossos leitores enviem artigos e resenhas para a Revista do Centro de Educação da UFSM e visitem nosso site www.ufsm.ce/revista.
Um fraterno abraço a todos,

Jorge Luiz da Cunha
Organizador do Dossiê: História da Educação


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