... Edição: 2006 - Vol. 31 - No. 01 > Editorial
 
Editorial
Aos nossos leitores,

Prezados Leitores!

É com satisfação que estamos apresentando o v. 31 - n. 01/2006 da Revista Educação. A diversidade dos temas que compõem esse número decorre da multiplicidade de focos emergentes nas discussões sobre e para a educação.

No primeiro texto, “Contribuição para os paradigmas de pesquisa”, Carmen Ricoy Lorenzo indaga sobre as concepções paradigmáticas que envolvem a pesquisa. Apresenta uma revisão dos paradigmas dominantes em ciências sociais e da educação. A autora não fecha o debate mas, convida ao leitor, a continuar avançando na linha proposta para impulsionar, na medida do possível, o desenvolvimento de pesquisas em uma perspectiva multiparadigmática.

Ronaldo Q. de Morais, em “A subjetivação do mercado e o fazer pedagógico: por uma práxis transformacional no espaço escola” propõe, a partir da leitura dos signos de mercado e de seu corolário no fazer-pedagógico, fomentar uma práxis transformacional no espaço escolar. Toma a escola como um campo importante no processo de subjetivação capitalista no qual ocorre a naturalização da indústria cultural como cultura dos universais. Daí a importância, segundo o autor, de uma leitura articulada do que fazemos em nosso cotidiano (em casa, na escola, etc) com a teoria que substancia nossas práticas.

O artigo “Inclusão e autoconceito: reflexões sobre a formação de professores”, de autoria de Viviane Preichardt Duek e Maria Inês Naujorks, decorre de um estudo bibliográfico que aborda o autoconceito do professor que trabalha com alunos com necessidades educacionais especiais, na escola básica. Os referenciais da área da Psicologia, Educação Especial e Educação constituem uma matriz teórica para a discussão em relação à formação de professores, diante do atual paradigma inclusivo. As autoras destacam a pertinência e o desejo de continuidade da pesquisa, por meio de um trabalho centrado na pessoa do professor como alguém que precisa ser apoiado e escutado, no que concerne ao contexto inclusivo.

Letícia Prezzi Fernandes, em “Quem aprende na educação infantil: a escola ensinando a ser boa-mãe” problematiza, através dos estudos de gênero e culturais pós-estruturalistas, as relações entre professoras e mães de alunos na Educação Infantil. A pesquisa envolveu a observação de uma turma de Educação Infantil e as práticas discursivas que permeiam as relações entre mães e professora, materializadas através dos bilhetes de agenda e dos contatos na entrada e saída da aula, bem como aquelas relações que delimitam e atravessam as práticas pedagógicas desenvolvidas, sobretudo na semana do dia das mães. A autora destaca que a participação da instituição escolar na valoração e legitimação de determinadas formas de exercício da maternidade é bastante intensa, pois a representação de boa-mãe é definida em sutis falas do cotidiano escolar, onde cenas familiares são suscitadas.

Em “O professor, o aluno e o conteúdo no ensino de botânica”, Lenir Maristela Silva, Valdo José Cavallet e Yedo Alquini analisam o ensino de Botânica a partir dos trabalhos direcionados ao ensino na graduação, da seção temática “Ensino de Botânica” dos anais dos Congressos Nacionais de Botânica do período de 1995 a 2002 e de planejamentos e programas de disciplinas de Botânica de algumas universidades públicas. O aperfeiçoamento do ensino de Botânica, explícito nos documentos analisados é entendido, principalmente no sentido do aprimoramento das metodologias específicas da área ou de recursos didáticos, ou seja, são relegadas as condições de ensino que podem oportunizar a apropriação crítica e contextualizada dos conhecimentos, indispensável à formação emancipatória do aluno.

O artigo “Narrativas de práticas bem sucedidas com tecnologias da informação e comunicação: com a palavra os professores do Ensino Fundamental”, de autoria de Lina C. Nunes; Bernadete V. Amin; Mônica Saraiva M. Gimarães e Mirian Garfinkel, apresenta um recorte de uma pesquisa realizada em quatro escolas públicas do município do Rio de Janeiro, durante o ano de 2003, com o objetivo de analisar práticas bem sucedidas com diferentes tecnologias em sala de aula. As conclusões apontam que, em relação às tecnologias analógicas são relatadas inúmeras experiências bem sucedidas, enquanto que em relação às digitais, apenas um pequeno número de entrevistados relatou sucesso.

Vantoir Brancher e Valeska F. de Oliveira, em “Memórias de professoras: a história de Helena Ferrari Teixeira”, objetivam conhecer e analisar a história de vida de uma professora bastante singular e de significativa importância para a história das mulheres no Brasil, na educação e na política. Para os autores, olhar os saberes da docente proporciona ressignificar os lugares e espaços vividos pelos professores em diferentes épocas. A partir disso, acreditam que, olhar os saberes cotidianos dos docentes, neste caso de D. Helena, possibilita ressignificação de nossos próprios saberes e práticas profissionais.

“O direito à educação superior na Constituição Federal de 1988 como direito fundamental” de autoria de Andréa Nárriman Cezne analisa o direito à educação superior a partir de sua definição constitucional como direito fundamental. Apresenta um breve histórico da questão nas constituições anteriores, enfatizando as inovações na Constituição de 1988. Discute a atuação estatal no campo do ensino superior e seus limites, a partir de sua estrutura constitucional. Por fim, analisa a educação como direito fundamental social que precisa ser desenvolvido e materializado através da interpretação constitucional, expressa nas decisões dos Tribunais Superiores.

O artigo “Questões de legitimidade na primeira República: o ensino secundário regular a equiparação do ginásio paranaense ao congênere federal” de autoria de Serlei Maria Fischer Ranzi e Maclovia Corrêa da Silva trata do Ginásio Paranaense e dos esforços de dirigentes locais para obter a equiparação ao Ginásio Nacional. O período de 1889 a 1930 representa o recorte para o estudo, momento de intenso debate sobre esta questão delineada nos ideais republicanos e presentes também nas idéias de legitimação e hierarquização do ensino secundário. A partir de uma análise local aponta-se como os governantes republicanos construíram uma hierarquia das legitimidades e de prestígio de um curso de humanidades, com pretensão à consagração daquilo que era considerado vanguarda nas escolas secundárias espalhadas pela Europa e pelos Estados Unidos.

Luciano Mendes de Faria Filho é o autor de “Ilustração e educação: uma leitura de Bernardo Guimarães”. No texto, busca explicitar facetas importantes da cultura e do processo de escolarização no Brasil e, mais especificamente, em Minas Gerais, ao longo do oitocentos. O artigo traz a tona a discussão sobre a produção literária de um dos principais intelectuais mineiros do século XIX – o romancista Bernardo Guimarães -, buscando destacar a importância dos intelectuais no processo de escolarização nos últimos dois séculos.

O artigo “A reflexão da prática como um dos subsídios para a formação do professor de ensino fundamental”, de autoria de Maria da Penha Esteves e Eneida Maria Chaves, objetiva discutir a importância da reflexão da e sobre a prática docente como um dos requisitos básicos para a formação, tanto inicial quanto continuada, do professor das quatro primeiras séries do Ensino Fundamental. Discute também o papel do registro como elemento facilitador dessa reflexão. Para isso, fundamenta-se em alguns teóricos que defenderam a reflexão sobre a ação pedagógica como oportunidade ímpar de preparação para o trabalho docente. Finalmente, analisa os depoimentos, no grupo focal e em entrevista individual, de uma egressa do Curso Superior de Formação de Professores (CSFP).

Finalizando este número da Revista Educação, Ana Elisa Ribeiro apresenta uma resenha do livro “Da fala para a escrita: atividades de retextualização, publicado pela editora Cortez no ano de 2004.

Esperamos que os nossos leitores tenham uma ótima leitura. Reiteramos o convite para que sejam submetidos artigos para futuras publicações da Revista Educação CE/UFSM. Para o próximo número estamos preparando um Dossiê sobre “Ensino das Artes Visuais”.


Cláudia Ribeiro Bellochio
Presidente da Comissão Editorial


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