... Edição: 2006 - Vol. 31 - No. 02 > Editorial
 
Editorial
Aos nossos leitores,

Com reconhecimento a todas as leitoras e leitores, apresentamos mais um número da Revista Educação do Centro de Educação da Universidade Federal de Santa Maria no Rio Grande do Sul.

A publicação do Dossiê: Educação e Artes Visuais é resultado da colaboração de professores e pesquisadores reconhecidos desse campo de conhecimento. O Dossiê tem como propósito dar retorno à grande expansão da área de pesquisa em Arte e Educação. Nos últimos dez anos, em especial, as pesquisas em Arte e Ensino de Artes Visuais têm resultado na inquietude de professoras e professores investigadores; no fortalecimento, consolidação em publicações da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas-ANPAP e da Federação dos Arte-Educadores do Brasil- FAEB; na criação de Grupos de Pesquisas nas interfaces da Arte em todo o Brasil; na implantação de linhas de pesquisa em Arte Visuais, Ensino de Artes Visuais e em Educação e Artes de reconhecidos Programas de Pós-Graduação do país; no aumento das linhas editoriais em diversos espaços de divulgação. Recentemente, na 29 Reunião da ANPED foi aprovada a criação do Grupo de Estudos (GE) em Educação e Arte.

O Dossiê tem o apoio da Linha de Pesquisa Educação e Artes- PPGE/CE/UFSM e do Grupo de Pesquisa em Educação e Artes Visuais-GEPEAV-CNPq/UFSM que, primando pelo trabalho compartilhado de forma interinstitucional com pesquisadores desse campo de conhecimento, juntamente com o Centro de Educação da UFSM, proporciona a divulgação e reflexão acadêmica, contribuindo com a publicação do Dossiê: Educação e Artes Visuais.

O Dossiê apresenta onze artigos atuais e inéditos que contemplam interfaces da temática Educação e Artes Visuais.

O primeiro artigo, A arte no processo educativo, de Lucimar Bello Pereira Frange, faz uma reflexão com base na análise de textos de Noêmia Varela sobre a relação educação e ensino de arte como instâncias criadoras, sob a perspectiva de Julien Algirdas Greimas, trazendo possibilidades de espaços de pensamentos para o professor investigador na arte e sobre a arte e seu ensino.

Mirian Celeste Martins apresenta Entrevidas: a inquietude de professores-propositores. Esta investigação pontua a inquietude de professores propositores na pesquisa cotidiana que alimenta as práticas pedagógicas a qual flui dos grupos de pesquisa, nas publicações, nos congressos, em projetos instituintes, provocando movimentos no ensino de arte no Brasil.

De autoria de Sandra Richter é o artigo intitulado Bachelard e a experiência poética como dimensão educativa da arte. Inserido na fenomenologia bachelardiana da formação das imagens na leitura poética, promove a abertura para o estudo da imaginação material em seu poder de metamorfosear imagens que engendram o acontecimento da linguagem. Aprofunda estudos sobre a complexa relação entre corpo, imagem e palavra como estratégia para pensar a especificidade que envolve processos de criação plástica e o dilema da dimensão educativa da arte.

Porque somos Kleinianos: a esquizoanálise entre educação e arte é o título do artigo de Luciano Bedin Costa, Mayra Martins Redin e Cláudia Madruga Cunha. Os autores discutem aspectos da esquizoanálise formulada por Gilles Deleuze e Félix Guatarri, procurando inseri-la na discussão acerca das práticas e discursos da educação. Trazem na discussão temática a produção do artista francês Yves Klein. Colocam em questão, o discurso majoritário acerca da educação.

Sandra Regina Ramalho e Oliveira apresenta o artigo Projeto transarte: transdisciplinariedade e intersemioses no ensino de arte. Trata-se de uma pesquisa realizada no ensino público do Estado de Santa Catarina, envolvendo alunos e professores. Apresenta uma proposta transdisciplinar no ensino de arte, tendo os fundamentos da semiótica como balizador da investigação, contribuição significativa para o ensino de arte escolar.

A pesquisa Intuições sobre o tempo na criação em artes visuais de Ângela Raffin Pohlmann aborda a questão do processo criador em artes visuais e o modo como o tempo vivido pode ser percebido durante o processo.Traz para o debate a experiência de viver e pensar o existente entre o projeto inicial que “lança” o movimento de criação e o trajeto percorrido durante a realização da obra. Contribui com os estudos da experiência poética a ser pensada na área do ensino de Artes Visuais.

O artigo Escritas de si (e para os outros) na docência em arte é de Luciana Grupelli Loponte e analisa a escrita docente em forma de diários e os efeitos do trabalho em grupo e de sua escrita compartilhada na própria prática pedagógica dos docentes participantes da pesquisa. Contribui e desvela a possibilidade de práticas em ensino de arte que se diferencia das práticas engendradas por manuais e livros didáticos.

As artes visuais e a formação do pedagogo-anos inicias: uma investigação no Curso de Pedagogia-CE/USFM de autoria de Andréia Weiss e Ana Luiza Ruschel Nunes investiga e analisa o acontecimento da formação inicial do professor dos anos iniciais, em relação ao ensino das artes visuais no Curso de Pedagogia. Traz elementos significativos para pensar o ensino de artes visuais na formação inicial de professores de anos iniciais, tendo em vista o espaço/tempo da criação na infância escolar e a formação e atuação do professor em formação na escola. Pontua positividades e, por outro lado, aponta problemas nessa formação docente, exigindo reflexões e possibilidades em seu redimensionamento.

O texto de Maria Cristina da Rosa intitulado A educação inclusiva de professores de arte à distância: possibilidades e conflitos dá visibilidade de uma alternativa de educação de professores de arte desenvolvida através de um ambiente virtual de aprendizagem à distância na modalidade duo-modal. Apresenta imbricamento de temas contemporâneos, trazendo as questões multiculturais e a tecnologia na escola em direção à formação de professores de arte a distância.

Em Aprendizagens com tecnologias, artes e comunicação em cursos de formação docente, Tania Maria Esperon Porto traz para o debate e reflexão algumas vivências educativas no Curso de Pedagogia. Pontua alguma aprendizagens entre professora universitária entremeadas com alunas professoras em situações de sensibilidades e subjetividades e outras questões pertinentes e significativas em relação às aprendizagens com tecnologias, artes e comunicação na formação docente.

Encerrando o Dossiê, o artigo de Consuelo Alcione B. D. Schlichta Leitura de imagens no ensino da arte: uma outra maneira de praticar a cultura investiga outra maneira de praticar a leitura de imagens, tendo em vista o número de pesquisas sobre as fronteiras e imbricações entre o legível e o visível. Salienta a necessidade do educador superar a dicotomia discurso formalista discurso sócio-político em arte. Pontua o cuidado na leitura de imagens ao se referir à obra de arte e contexto, levando em conta a forma simplista como muitas vezes ocorre, o que exigiu e exige, segundo a autora, uma investigação do discurso imagético.

A segunda parte da Revista Educação é composta por artigos de temas diversos.

Desafios da mediação pedagógica em formação de professores presenciais e a distância é o texto de Elena Maria Malmann, Araci Hack Catapan e Fábio da P. de Bastos. Os autores fazem reflexões sobre a mediação pedagógica em cursos de formação escolar de professores a partir das políticas públicas e de outras literaturas. A inserção das tecnologias de comunicação digital na mediação pedagógica requer investigar as atividades docentes como a elaboração de materiais didáticos on-line e o monitoramento eletrônico das aprendizagens a distância.

O artigo Trabalhos colaborativos na formação de professores da educação de jovens e adultos de Mariglei Severo Maraschin e Cláudia Ribeiro Bellochio apresenta uma investigação-ação com professores de EJA (anos iniciais), com trabalhos colaborativos no desenvolvimento profissional e pessoal desses professores, compartilhando saberes e experiências de suas próprias práticas. Traz resultados significativos do grupo colaborativo no desenvolvimento profissional e pessoal dos professores e na construção coletiva de novos conhecimentos.

Alexandro Andrade e outros autores em Qualidade de vida no trabalho: uma percepção de trabalhadores que retornaram ao ensino formal analisam a percepção da qualidade de vida de trabalhadores de Santa Catarina que retornaram ao ensino formal. Concluem, apontando para a necessidade de uma proposta pedagógica voltada ao cotidiano do aluno trabalhador.

Inclusão: contribuições da teoria sócio-interacionista à inclusão escolar de pessoas com deficiência é de Daniele Noal Gai e Maria Inês Naujorks. O estudo verifica as contribuições da teoria sócio-interacionista à inclusão escolar de pessoas com necessidades especiais. As autoras destacam que a dinâmica da aprendizagem na sala de aula inclusiva ocorre através de interações mútuas, nas quais alunos e professores estabelecem relações sociais e afetivas para promover e efetivar a aprendizagem formal.

A vivência de valores através da literatura infanto-juvenil: a pedagogia de projetos como estratégia de ensino, de Helen Denise D. Lemos e Andréia Morés resulta de reflexões dos vínculos entre literatura infanto-juvenil, ludicidade e os projetos de trabalho, através de experiência prática em sala de aula de uma escola pública. As autoras apresentam resultados fundantes de mediação nos processos de desenvolvimento da compreensão do significado de práticas sociais.

Encerrando esta Revista, Ana Cristina Zimmerman apresenta o texto Aventura e percepção: contribuições para o processo de ensino-aprendizagem. A autora encaminha reflexões para o processo de ensino-aprendizagem em Educação Física com base na fenomenologia da percepção para conhecer e analisar elementos teórico-práticos em atividades físicas Os resultados destacam possibilidades de recuperar o espaço da experiência como primordial na constituição do conhecimento reconhecer o potencial criador como elemento fundamental da aprendizagem e potencializar a Educação Física escolar em experiências que revelam o poder expressivo do corpo.

Esperamos ter colaborado com mais esta edição da Revista Educação para divulgar, sobretudo neste número a socialização da produção científica crescente na área de Educação e Artes Visuais. Agradecemos a todos os colaboradores e solicitamos aos leitores que submetam trabalhos à Revista Educação.

In memórian

Em homenagem ao grande educador e colega, Prof Dr. Hugo Beyer, membro do Conselho Editorial da Revista Educação, que de forma trágica, lamentavelmente, não está mais conosco. Deixa um legado não só científico e educativo, mas humano e solidário na convivência acadêmica e fora dela.


Nossa grande homenagem de agradecimento.
Muitas saudades.
Da comunidade do Centro de Educação.

 


Ana Luiza Ruschel Nunes
Organizadora do Dossiê Educação e Artes Visuais


Cláudia Ribeiro Bellochio
Presidente da Comissão Editorial


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