| Com
reconhecimento a todas as leitoras e leitores,
apresentamos mais um número da Revista
Educação do Centro de Educação
da Universidade Federal de Santa Maria no Rio
Grande do Sul.
A publicação do Dossiê: Educação
e Artes Visuais é resultado da colaboração
de professores e pesquisadores reconhecidos desse
campo de conhecimento. O Dossiê tem como
propósito dar retorno à grande expansão
da área de pesquisa em Arte e Educação.
Nos últimos dez anos, em especial, as pesquisas
em Arte e Ensino de Artes Visuais têm resultado
na inquietude de professoras e professores investigadores;
no fortalecimento, consolidação
em publicações da Associação
Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas-ANPAP
e da Federação dos Arte-Educadores
do Brasil- FAEB; na criação de Grupos
de Pesquisas nas interfaces da Arte em todo o
Brasil; na implantação de linhas
de pesquisa em Arte Visuais, Ensino de Artes Visuais
e em Educação e Artes de reconhecidos
Programas de Pós-Graduação
do país; no aumento das linhas editoriais
em diversos espaços de divulgação.
Recentemente, na 29 Reunião da ANPED foi
aprovada a criação do Grupo de Estudos
(GE) em Educação e Arte.
O Dossiê tem o apoio da Linha de Pesquisa
Educação e Artes- PPGE/CE/UFSM e
do Grupo de Pesquisa em Educação
e Artes Visuais-GEPEAV-CNPq/UFSM que, primando
pelo trabalho compartilhado de forma interinstitucional
com pesquisadores desse campo de conhecimento,
juntamente com o Centro de Educação
da UFSM, proporciona a divulgação
e reflexão acadêmica, contribuindo
com a publicação do Dossiê:
Educação e Artes Visuais.
O Dossiê apresenta onze artigos atuais e
inéditos que contemplam interfaces da temática
Educação e Artes Visuais.
O primeiro artigo, A arte no processo educativo,
de Lucimar Bello Pereira Frange, faz uma reflexão
com base na análise de textos de Noêmia
Varela sobre a relação educação
e ensino de arte como instâncias criadoras,
sob a perspectiva de Julien Algirdas Greimas,
trazendo possibilidades de espaços de pensamentos
para o professor investigador na arte e sobre
a arte e seu ensino.
Mirian Celeste Martins apresenta Entrevidas: a
inquietude de professores-propositores. Esta investigação
pontua a inquietude de professores propositores
na pesquisa cotidiana que alimenta as práticas
pedagógicas a qual flui dos grupos de pesquisa,
nas publicações, nos congressos,
em projetos instituintes, provocando movimentos
no ensino de arte no Brasil.
De autoria de Sandra Richter é o artigo
intitulado Bachelard e a experiência poética
como dimensão educativa da arte. Inserido
na fenomenologia bachelardiana da formação
das imagens na leitura poética, promove
a abertura para o estudo da imaginação
material em seu poder de metamorfosear imagens
que engendram o acontecimento da linguagem. Aprofunda
estudos sobre a complexa relação
entre corpo, imagem e palavra como estratégia
para pensar a especificidade que envolve processos
de criação plástica e o dilema
da dimensão educativa da arte.
Porque somos Kleinianos: a esquizoanálise
entre educação e arte é o
título do artigo de Luciano Bedin Costa,
Mayra Martins Redin e Cláudia Madruga Cunha.
Os autores discutem aspectos da esquizoanálise
formulada por Gilles Deleuze e Félix Guatarri,
procurando inseri-la na discussão acerca
das práticas e discursos da educação.
Trazem na discussão temática a produção
do artista francês Yves Klein. Colocam em
questão, o discurso majoritário
acerca da educação.
Sandra Regina Ramalho e Oliveira apresenta o artigo
Projeto transarte: transdisciplinariedade e intersemioses
no ensino de arte. Trata-se de uma pesquisa realizada
no ensino público do Estado de Santa Catarina,
envolvendo alunos e professores. Apresenta uma
proposta transdisciplinar no ensino de arte, tendo
os fundamentos da semiótica como balizador
da investigação, contribuição
significativa para o ensino de arte escolar.
A pesquisa Intuições sobre o tempo
na criação em artes visuais de Ângela
Raffin Pohlmann aborda a questão do processo
criador em artes visuais e o modo como o tempo
vivido pode ser percebido durante o processo.Traz
para o debate a experiência de viver e pensar
o existente entre o projeto inicial que “lança”
o movimento de criação e o trajeto
percorrido durante a realização
da obra. Contribui com os estudos da experiência
poética a ser pensada na área do
ensino de Artes Visuais.
O artigo Escritas de si (e para os outros) na
docência em arte é de Luciana Grupelli
Loponte e analisa a escrita docente em forma de
diários e os efeitos do trabalho em grupo
e de sua escrita compartilhada na própria
prática pedagógica dos docentes
participantes da pesquisa. Contribui e desvela
a possibilidade de práticas em ensino de
arte que se diferencia das práticas engendradas
por manuais e livros didáticos.
As artes visuais e a formação do
pedagogo-anos inicias: uma investigação
no Curso de Pedagogia-CE/USFM de autoria de Andréia
Weiss e Ana Luiza Ruschel Nunes investiga e analisa
o acontecimento da formação inicial
do professor dos anos iniciais, em relação
ao ensino das artes visuais no Curso de Pedagogia.
Traz elementos significativos para pensar o ensino
de artes visuais na formação inicial
de professores de anos iniciais, tendo em vista
o espaço/tempo da criação
na infância escolar e a formação
e atuação do professor em formação
na escola. Pontua positividades e, por outro lado,
aponta problemas nessa formação
docente, exigindo reflexões e possibilidades
em seu redimensionamento.
O texto de Maria Cristina da Rosa intitulado A
educação inclusiva de professores
de arte à distância: possibilidades
e conflitos dá visibilidade de uma alternativa
de educação de professores de arte
desenvolvida através de um ambiente virtual
de aprendizagem à distância na modalidade
duo-modal. Apresenta imbricamento de temas contemporâneos,
trazendo as questões multiculturais e a
tecnologia na escola em direção
à formação de professores
de arte a distância.
Em Aprendizagens com tecnologias, artes e comunicação
em cursos de formação docente, Tania
Maria Esperon Porto traz para o debate e reflexão
algumas vivências educativas no Curso de
Pedagogia. Pontua alguma aprendizagens entre professora
universitária entremeadas com alunas professoras
em situações de sensibilidades e
subjetividades e outras questões pertinentes
e significativas em relação às
aprendizagens com tecnologias, artes e comunicação
na formação docente.
Encerrando o Dossiê, o artigo de Consuelo
Alcione B. D. Schlichta Leitura de imagens no
ensino da arte: uma outra maneira de praticar
a cultura investiga outra maneira de praticar
a leitura de imagens, tendo em vista o número
de pesquisas sobre as fronteiras e imbricações
entre o legível e o visível. Salienta
a necessidade do educador superar a dicotomia
discurso formalista discurso sócio-político
em arte. Pontua o cuidado na leitura de imagens
ao se referir à obra de arte e contexto,
levando em conta a forma simplista como muitas
vezes ocorre, o que exigiu e exige, segundo a
autora, uma investigação do discurso
imagético.
A segunda parte da Revista Educação
é composta por artigos de temas diversos.
Desafios da mediação pedagógica
em formação de professores presenciais
e a distância é o texto de Elena
Maria Malmann, Araci Hack Catapan e Fábio
da P. de Bastos. Os autores fazem reflexões
sobre a mediação pedagógica
em cursos de formação escolar de
professores a partir das políticas públicas
e de outras literaturas. A inserção
das tecnologias de comunicação digital
na mediação pedagógica requer
investigar as atividades docentes como a elaboração
de materiais didáticos on-line e o monitoramento
eletrônico das aprendizagens a distância.
O artigo Trabalhos colaborativos na formação
de professores da educação de jovens
e adultos de Mariglei Severo Maraschin e Cláudia
Ribeiro Bellochio apresenta uma investigação-ação
com professores de EJA (anos iniciais), com trabalhos
colaborativos no desenvolvimento profissional
e pessoal desses professores, compartilhando saberes
e experiências de suas próprias práticas.
Traz resultados significativos do grupo colaborativo
no desenvolvimento profissional e pessoal dos
professores e na construção coletiva
de novos conhecimentos.
Alexandro Andrade e outros autores em Qualidade
de vida no trabalho: uma percepção
de trabalhadores que retornaram ao ensino formal
analisam a percepção da qualidade
de vida de trabalhadores de Santa Catarina que
retornaram ao ensino formal. Concluem, apontando
para a necessidade de uma proposta pedagógica
voltada ao cotidiano do aluno trabalhador.
Inclusão: contribuições da
teoria sócio-interacionista à inclusão
escolar de pessoas com deficiência é
de Daniele Noal Gai e Maria Inês Naujorks.
O estudo verifica as contribuições
da teoria sócio-interacionista à
inclusão escolar de pessoas com necessidades
especiais. As autoras destacam que a dinâmica
da aprendizagem na sala de aula inclusiva ocorre
através de interações mútuas,
nas quais alunos e professores estabelecem relações
sociais e afetivas para promover e efetivar a
aprendizagem formal.
A vivência de valores através da
literatura infanto-juvenil: a pedagogia de projetos
como estratégia de ensino, de Helen Denise
D. Lemos e Andréia Morés resulta
de reflexões dos vínculos entre
literatura infanto-juvenil, ludicidade e os projetos
de trabalho, através de experiência
prática em sala de aula de uma escola pública.
As autoras apresentam resultados fundantes de
mediação nos processos de desenvolvimento
da compreensão do significado de práticas
sociais.
Encerrando esta Revista, Ana Cristina Zimmerman
apresenta o texto Aventura e percepção:
contribuições para o processo de
ensino-aprendizagem. A autora encaminha reflexões
para o processo de ensino-aprendizagem em Educação
Física com base na fenomenologia da percepção
para conhecer e analisar elementos teórico-práticos
em atividades físicas Os resultados destacam
possibilidades de recuperar o espaço da
experiência como primordial na constituição
do conhecimento reconhecer o potencial criador
como elemento fundamental da aprendizagem e potencializar
a Educação Física escolar
em experiências que revelam o poder expressivo
do corpo.
Esperamos ter colaborado com mais esta edição
da Revista Educação para divulgar,
sobretudo neste número a socialização
da produção científica crescente
na área de Educação e Artes
Visuais. Agradecemos a todos os colaboradores
e solicitamos aos leitores que submetam trabalhos
à Revista Educação.
In
memórian
Em homenagem ao grande educador e colega, Prof
Dr. Hugo Beyer, membro do Conselho Editorial da
Revista Educação, que de forma trágica,
lamentavelmente, não está mais conosco.
Deixa um legado não só científico
e educativo, mas humano e solidário na
convivência acadêmica e fora dela.
Nossa grande homenagem de agradecimento.
Muitas saudades.
Da comunidade do Centro de Educação.
Ana Luiza Ruschel Nunes
Organizadora do Dossiê Educação
e Artes Visuais
Cláudia Ribeiro Bellochio
Presidente da Comissão Editorial
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