... Edição: 2006 - Vol. 31 - No. 02 > Editorial > Índice > Resumo
 
Leitura de imagens: uma outra maneira de praticar a cultura

Consuelo Alcioni B. D. Schlichta*
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A problemática central desta reflexão – a validade da noção de leitura aplicada à imagem – ainda hoje mantém seu vigor ampliando-se, nas últimas décadas, o número de pesquisas sobre as fronteiras e imbricações existentes entre o legível e o visível. Nesta direção, um sinal evidente da prática de inclusão de outros tipos de materiais, principalmente iconográficos, é o rompimento com a exclusividade das fontes escritas, denominada por Jacques Le Goff de “imperialismo dos documentos escritos”. Passou-se a incorporar, então, principalmente as obras de arte nas investigações, tornando-se muito natural “que nos lançássemos sobre a iconografia como sobre um novo osso metodológico a roer”, como ironiza Yve-Alain Bois. Mas, indo além da simples ironia, cabe ao educador superar a dicotomia discurso formalista versus discurso sóciopolítico em arte abordando as fontes iconográficas, no mínimo, com um certo cuidado, pois, são muito freqüentes as articulações entre obra de arte e contexto postas de modo extremamente simplista. Conseqüentemente – reflexão que se pretende desenvolver – a leitura ou interpretação aplicada a iconografia exige uma investigação da especificidade do discurso imagético, pois, este “registro” se cruza com outros, como o histórico, por exemplo, no entanto, nunca se fundem e, muitas vezes, discrepam.

Palavras-chave: Leitura. Imagem. Ensino da Arte.

 
* Profa. Dra. do Departamento de Artes, Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes da UFPR.
 
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