| Prezados
Leitores!
É com prazer que estamos apresentando o
volume 32, n. 01/2007 da Revista Educação,
constituído pelo Dossiê Alfabetização
e Letramento e por textos de demanda contínua.
A primeira parte apresenta sete textos sobre a
temática Alfabetização e
Letramento, compondo um Dossiê que foi organizado
pela Profª Drª Helenise Sangói
Antunes. A temática do Dossiê abrange
a linha do convênio institucional firmado
entre o GEPFICA/UFSM e o CEALE/UFMG através
do projeto “Laboratório de alfabetização:
repensando a formação de professores”.
A segunda parte é constituída por
outros sete artigos de demanda contínua
e que versam sobre diferentes temas da educação.
O texto de abertura do Dossiê é de
autoria de Jean Hébrard e é intitulado
“A lição e o exercício:
algumas reflexões sobre a história
das práticas escolares de leitura e escrita”.
Nele, o autor francês, ao tratar da história
da lição e do exercício,
mostra como se constroem os grandes modelos didáticos
que estruturaram e ainda estruturam as diferentes
instituições de escolarização
na França. O antagonismo entre lição
e exercício – como entre transmissão
de saberes e competências; ensino primário,
secundário e universitário; ler
e escrever – questiona as fronteiras entre
o primeiro e segundo graus e entre escola e colégio,
no ensino francês. O período analisado
vai entre o final do século XIII, quando
que instauram os colégios nas grandes cidades
européias, e o século XX, quando
os suportes didáticos das novas tecnologias
produzem outras práticas escolares de leitura
e escrita.
O texto de Isabel Frade, “Métodos
de alfabetização, métodos
de ensino e conteúdos da alfabetização:
perspectivas históricas e desafios atuais”
pretende recuperar o lugar dos métodos
de alfabetização, de um ponto de
vista histórico e atual. Parte do pressuposto
de que mesmo quando os métodos não
estão em evidência no campo teórico
e no campo das políticas, as formas de
materializar novas teorias e desafios em ações
fazem parte da natureza da pedagogia.
Iole M. Faviero Trindade, é autora do artigo
“Uma análise cultural de discursos
sobre alfabetização e alfabetismo
e suas representações”. O
texto enfoca as temáticas da alfabetização
e do alfabetismo/letramento, sob a ótica
dos Estados Culturais em Educação
e campos afins, como os estudos pós-modernos
e os estudos pós-estruturalistas. A autora
faz uso da análise cultural, organizando
o trabalho em quatro seções: a primeira
seção apresenta uma bricolagem teórica-metodológica,
a segunda um conjunto de 12 trabalhos decorrentes
de pesquisas realizadas entre 1998 e 2006, e a
terceira faz uma descrição de outros
oito trabalhos de conclusão de curso produzidos
ao final de curso de graduação,
entre 2003 e 2006, e de dois trabalhos de conclusão
de curso de especialização, em 2006,
ambos focando estudos sobre alfabetização
e alfabetismo/letramento produzidos nessas diferentes
instâncias.
O texto de Aparecida Paiva “Alfabetização
e linguagem em rede: a formação
continuada de professores” é o relato
de experiência institucional do CEALE -
Centro de Alfabetização, Leitura
e Escrita- da FaE/UFMG e busca dar visibilidade
a uma política pública em andamento
no país e, problematizar a formação
de professores na área da Alfabetização
e Letramento. O texto também sugere reflexões
sobre o papel da Universidade na articulação
entre formação inicial e continuada
de professores.
Em “Relatos autobiográficos: uma
possibilidade para refletir sobre as lembranças
escolares das alfabetizadoras”, Helenise
Antunes, através da exposição
de uma pesquisa, destaca a importância de
conhecer as lembranças escolares de professoras
alfabetizadoras através de seus relatos
autobiográficos. A autora destaca que,
no momento em que as alfabetizadoras refletem,
via relatos autobiográficos, sobre seus
processos formativos, percebem o quanto precisam
buscar novos subsídios teórico-práticos
para poderem instaurar práticas educativas
críticas e reflexivas, construindo novos
sentidos em relação às suas
histórias de vida e às suas práticas
docentes.
O artigo “Literacias em contexto de intervenção
pedagógica: um exemplo sustentado nos Novos
Estudos de Literacia”, de autoria de Maria
de Lourdes Dionísio, apresenta um programa
de intervenção pedagógica
com 75 jovens portugueses, dos 13 aos 15 anos,
em risco de abandono escolar. Na medida em que
o programa se sustenta em princípios teóricos
e pedagógicos gerados pelos Novos Estudos
de Literacia, destes será igualmente feita
uma breve apresentação.
Adelma Barros Mendes e João Gatinho são
os autores do artigo “Variedades lingüísticas
nos livros didáticos de Língua Portuguesa:
uma temática emergente no ensino de língua
materna do nível fundamental”. O
trabalho busca apresentar um tema bastante complexo
dentro do ensino de língua materna, as
variedades da língua refletidas nos diversos
gêneros textuais, utilizados para o trabalho
de leitura e escrita.
Abrindo o espaço de textos de demanda contínua,
Maria Magália Benini e Valeska Oliveira
assinam o texto “Um olhar crítico
ao ensino superior: inovações necessárias
aos interesses da sociedade em movimento”.
O artigo apresenta uma discussão do contexto
histórico e da pedagogia universitária,
apontando para uma interlocução
entre pesquisadores que pensam a inovação
universitária como caminho emergente às
necessidades da atual sociedade.
Eloíza
de Oliveira e Marly Costa são autoras de
“A formação de professores
para a educação especial: multiculturalismo
crítico e teoria das representações
sociais”. O estudo versa sobre a formação
de professores para a Educação Especial
e traz o enfoque inclusivo semelhante ao de McLaren,
ao propor um currículo multicultural.
O artigo “As questões de gênero
no ensino de graduação em administração:
o caso de uma universidade privada do Rio Grande
do Sul, Brasil”, de autoria de Sonia Mara
Thater Romero e Ana Lígia Nunes Finamor,
resulta da pesquisa com os/as docentes do curso
de Administração de uma universidade
privada brasileira e gaúcha sobre a diversidade
de gênero na sala de aula. Os resultados
apontam características como liderança,
raciocínio lógico e abstrato ligadas
aos estereótipos masculinos e características
como atenção, colaboração,
competitividade e trabalho em grupo relacionadas
diretamente aos estereótipos femininos.
Em “Memória e subjetividade: elementos
para refletir sobre a singularidade das professoras”,
Amanda Oliveira Rabelo objetiva relacionar a memória
com os processos de subjetivação
da sociedade e dos professores. Dessa forma, pontua
alguns termos como identidade e subjetividade,
com o aporte de autores como Foucault, Hardt,
Gondar.
Roque Striedes e Kelli Negri são os autores
de “Educação e agressividade
humana: um tema aberto! entre!”. O estudo
é uma investigação sobre
o ser humano e tem como objetivo uma melhor compreensão
da pré-disposição para a
agressividade. O artigo reflete sobre as polêmicas
vertentes da agressividade, congênita para
alguns e cultural para outros. Destaca como resultados
que o Paraíso era um modo de vida baseado
na matrística, ou seja, na colaboração
e na ajuda mútua e, que a emoção
da propriedade é fonte de agressividade.
“O ensino de história
no período noturno” é o artigo
de Jailson Dias Carvalho. Neste trabalho o autor
discute sobre como o ensino noturno ainda é
visto pelos profissionais como de baixa qualidade
e a maioria o enxerga como incapaz de permitir
aos educandos superar seus obstáculos
Gustavo de Oliveira Duarte é o autor de
“O dançar na educação
física escolar: a experiência estética
no movimento humano”. Nele, o autor propõe
refletir sobre o ensino da dança no espaço
escolar, visando contribuir para a educação
da sensibilidade dos alunos, enfatizando a dimensão
sensível. Conclui que o planejamento e
a organização das aulas, utilizando-se
do meio e do confronto estéticos, arranjados
pelo/a professor/a e construídos para e
com os/as alunos/as, podem possibilitar o vivenciar
de experiências sensíveis no dançar
do espaço escolar. Assim, o dançar
da escola configura-se uma ação
carregada de significados e sentidos compartilhados
intersubjetivamente, orientados e mediados pelo
professor na perspectiva de possibilitar vivências
sensíveis, artísticas, estéticas.
Esperamos que a publicação de mais
este número da Revista Educação
contribua para a reflexão e o aperfeiçoamento
da educação. Agradecemos a todos
os colaboradores e solicitamos aos leitores que
submetam trabalhos à Revista Educação.
Profª Drª Helenise Sangoi
Antunes
Organizadora do Dossiê Alfabetização
e Letramento
Profª Drª Cláudia
Ribeiro Bellochio
Presidente da Comissão Editorial
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