... Edição: 2007 - Vol. 32 - No. 02 > Editorial
 
Editorial

Prezados Leitores!

É com satisfação que lançamos o v. 32, n. 2, 2007 da Revista Educação composto pelo Dossiê Educação Inclusiva e por artigos de demanda contínua. Os oito primeiros textos compõem o tema do Dossiê de Educação Inclusiva. Na seqüência, são apresentados os textos de demanda contínua.

Abrindo o Dossiê sobre Educação Inclusiva, Jorge Humberto Nogueira e David António Rodrigues apresentam o texto “Avaliação do impacto da escola especial e da escola regular na inclusão social e familiar de jovens portadores de deficiência mental profunda”. No trabalho os autores referem-se a um estudo de caso comparativo entre dois grupos com cinco alunos cada, entre os 11 e os 15 anos, com deficiência mental profunda, em que um sempre freqüentou o ensino regular, e o outro sempre esteve numa instituição de educação especial. Os dados da pesquisa sugerem não haver vantagem de qualquer dos modelos.

O título de abertura “Estranho medo da inclusão”, de Antônio Carlos do Nascimento Osório, busca analisar os discursos da “inclusão”, que demarcam sempre um determinado grau de seletividade e enfatizam a diferença pelo preconceito. Apresenta a idéia de que as vertentes dos discursos da inclusão são oriundas das mais diferentes periferias dos problemas sociais, que sempre foram denominados anomalias e que se propõem conjugar a distribuição de normalização, que dão sustentação ao “poder disciplinar” implícito na sociedade, sempre num sentido de apaziguar ou neutralizar um conflito presente.

Maria Tereza Eglér Montoan apresenta o artigo “Igualdade e diferenças na escola: como andar no fio da navalha”. No artigo debate sobre o direito à igualdade e à diferença, na escola. Argumenta que o tema é polêmico e vital para a educação brasileira, diante do que propõe em favor da inclusão, sobretudo nas escolas.

“Política educacional e formação docente na perspectiva da inclusão” é o artigo de autoria de Dulce Almeida. A autora apresenta resultados de pesquisa documental e bibliográfica sobre as políticas públicas de educação e formação de professores voltadas para a inclusão educacional. O artigo se propõe a refletir sobre as orientações atuais oferecidas pela política educacional na perspectiva inclusiva e as implicações destas na formação docente.

Rosana Glat, Márcia Denise Pletsch e Rejane de Souza Fontes assinam o trabalho “Educação inclusiva & educação especial: propostas que se complementam no contexto da escola aberta à diversidade”. Advogam que o contexto brasileiro vem crescendo, nos últimos anos, o discurso em prol da Educação Inclusiva, com base na consigna “Educação para Todos”. O artigo apresenta uma breve discussão sobre o processo de implantação da Educação Inclusiva no Brasil, analisando o conceito de necessidades educacionais especiais e o papel da Educação Especial no âmbito desta política.

“Educação especial: o atendimento em salas de recursos na rede municipal de São Paulo” é de autoria de Rosângela Gavioli Prieto e Sandra Maria Zákia Lian Souza. Neste trabalho as autoras debatem sobre a política de atendimento aos alunos com deficiência formulada pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME-SP) e implantada através do Decreto n. 33.891 de 16 de dezembro de 1993. O presente texto, a partir de uma caracterização dos objetivos gerais e específicos previstos na legislação sobre educação especial da SME-SP, analisa o processo de implantação dessas salas com vistas a oferecer pistas que iluminem o aprimoramento das políticas educacionais em curso na rede municipal.

As autoras Lúcia de Araújo Ramos Martins e Katiane Symone de B. P. da Silva, no artigo: “Pesquisando e investindo na escola inclusiva, com vistas a incentivar a cooperação dos pares”, sintetizam aspectos relativos a uma pesquisa participante desenvolvida numa escola pública, da cidade de Natal-RN, através da qual se buscou favorecer o processo de inclusão escolar de alunos que apresentam necessidades especiais. Através de diversas estratégias desenvolvidas, conseguiu-se apreender que a deficiência não é o único fator que provoca exclusão, mas que as diferenças individuais, muitas vezes, são determinantes para a não aceitação dos alunos. Salientam a necessidade de que docentes sejam orientados em processo, que mantenham um diálogo permanente entre a teoria e a prática cotidiana, questionando-a e fazendo com que todos os alunos sejam vistos como aprendizes, como pessoas com ritmos e características próprias que precisam ser respeitados.

Em “Inclusão em escolas municipais: análise inicial de um caso”, Mônica de Carvalho M. Kassar salienta que as escolas municipais, hoje responsáveis por grande parte dos alunos do Ensino Fundamental, têm sido o grande foco do Programa Educação Inclusiva: Direito à Diversidade, em implantação desde 2004. No artigo tensiona analisar, a partir de uma pesquisa, alguns aspectos relativos à implantação da política de Educação Inclusiva na rede municipal de Corumbá-MS. As análises apontam para o respeito à legislação pertinente à implantação da Educação Inclusiva, quanto à matrícula, número de alunos por sala, formação mínima do quadro docente, entre outros. No entanto, indicam também que o cumprimento desses aspectos não garante a efetividade do processo escolar, visto que a lógica do custo-benefício, adotada nessa política, implica precariedade dos atendimentos oferecidos.
A segunda parte da Revista, textos de demanda contínua, inicia-se com o artigo de Ana Paula de Lima Batista, Hudson Wallace Pereira de Carvalho e Claudia Maria Ribeiro intitulado “Análise da construção do conhecimento na perspectiva das teorias de Vygotsky”. O texto aborda alguns aspectos das teorias de aprendizado de Vygotsky e discute, a partir desse referencial, a disciplina de Química abordada no Ensino Médio através da análise de interações entre mediadores e discentes. Os resultados observados, durante e após a realização da pesquisa, indicou que o método de ensino-aprendizado de Química aqui apresentado e discutido, dentro do referencial teórico abordado, pode contribuir como fator motivador para o ensino de Química.

“Mídias no ensino superior: a formação docente e a educação presencial e virtual” é de autoria de Dulce Márcia Cruz. Nele, a autora pretende discutir algumas questões voltadas à crescente necessidade de preparar o docente universitário que irá trabalhar como conteudista ou tutor na educação a distância (EAD). A partir de um panorama da formação para o uso das mídias na educação no Brasil e do contexto atual da EAD, descrevem-se os primeiros resultados de uma pesquisa em andamento. Ao final, são propostas ações de um programa de formação continuada para professores que vão ensinar com e através das mídias no ensino superior.

Andréia de Assis Ferreira e Paulo Cezar S. Ventura são os autores de “Concepções de professores de História da Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte acerca da Informática Educacional”. O artigo é resultado da pesquisa que envolveu, de um lado, as contribuições da Informática Educacional (IE) para o processo de ensino-aprendizagem de História e, de outro, a relação que os professores dessa disciplina estabelecem com a IE e suas dificuldades em se apropriarem dessa tecnologia. O estudo levantou algumas informações sobre as concepções dos professores de História acerca da IE, a fim de contribuir para o desenvolvimento dessa área, elaborar e implementar propostas mais eficientes voltadas para a melhoria do ensino de História a partir do uso da IE.

Marco Antonio Modesto, em “Ouvindo Bia e buscando novos caminhos na formação permanente de professores de Matemática”, busca analisar e compreender aspectos da formação permanente de professores de Matemática. A pesquisa reflete o depoimento de uma professora de Matemática que relata suas experiências de participação em cursos, seminários, workshops, e outros momentos de formação permanente, na qual estava ou esteve envolvida.

“Criatividade em Matemática: identificação e promoção de talentos criativos” é o artigo de Cleyton Hércules Gontijo. O autor destaca como, nos últimos anos, a produção acadêmica no campo da Educação Matemática cresceu no Brasil. Entretanto, essa produção ainda é incipiente no que se refere à criatividade. Com este panorama, o artigo discute a importância de se propiciar o desenvolvimento da criatividade em Matemática e apresenta características potenciais de alunos criativos nesta área.

Luís Fernando Lazzarin assina o texto “Música: produto ou processo? a educação musical responde”. Para o autor, a busca pela compreensão da natureza da experiência com música tem levado à polarização entre duas posições, cada uma delas enfatizando o caráter, ou de produto, ou de processo, da música. No artigo procura esclarecer as origens da improdutividade desta polarização, a partir do conceito de obra de arte musical (GOEHR, 1992).

Ao finalizarmos este editorial, gostaria de agradecer à professora Soraia Napoleão Freitas, pela organização do Dossiê de Educação Inclusiva, e a todos os colaboradores dos textos tematizados. Da mesma forma, agradeço aos demais autores que assinam artigos neste número e aos que submeteram trabalhos que não foram aprovados por nossos pareceristas. Desejamos a todos uma ótima leitura.

Profa. Dra. Soraia Napoleão Freitas
Organizadora do Dossiê Educação Inclusiva

Profa. Dra. Cláudia Ribeiro Bellochio
Presidente da Comissão Editorial

Homenagem Póstuma
Na elaboração deste número da Revista Educação, saliento a sempre colaboração da amiga Maria Aparecida Domingues de Albuquerque que, em muitos números, fez a correção do editorial para nós. Hoje, isto não será possível...Mas, a noite quando olharmos para o céu e pela manhã quando o sol nos aquecerá, teremos sua presença sempre conosco. Cidoca! O Centro de Educação e a Revista Educação agradecem a oportunidade de ter convivido e compartilhado contigo uma grande parte de tua vida. Nosso abraço eterno!

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