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Estranho medo da inclusão

[...] uma insurreição dos saberes antes de tudo contra os efeitos de poder centralizadores que estão ligados à instituição e ao funcionamento de um discurso científico organizado no interior de uma sociedade como a nossa.
(M.Foucault, 1998, p. 171).
 
Antônio Carlos do Nascimento Osório*

Este artigo tem o objetivo de analisar os discursos da “inclusão”, que demarcam sempre um determinado grau de seletividade e enfatizam a diferença pelo preconceito. A contradição desses discursos, na perspectiva foucaultiana, começa a ser evidenciada pela arqueogenealogia das estruturas institucionais que compõem diferentes formas de organizações das sociedades em suas contradições, em suas diferentes práticas sociais. Isso exige uma intervenção direta do Estado, como gestor da ordem e da proteção, independente de regime político, variando apenas as táticas utilizadas para obtenção de um mínimo de controle. Em contrapartida, o sentimento de segregação instiga um aprimoramento de defesas, criando outras estruturas paralelas ao Estado, que podem ser mais violentas do que aquelas que denominadas de delitos. As vertentes dos discursos da inclusão são oriundas das mais diferentes periferias dos problemas sociais, que sempre foram denominados anomalias e que se propõem conjugar a distribuição de normalização, que dão sustentação ao “poder disciplinar” implícito na sociedade, sempre num sentido de apaziguar ou neutralizar um conflito presente. Constata-se que o discurso da inclusão apóia-se sobre outros sistemas e mecanismos de exclusão, que são suportes do conjunto de estratégias institucionais, sendo, ao mesmo tempo, reforçadas e conduzidas por práticas sociais mais profundas. A inclusão se alinha em desafios históricos que passam por orientações gerais, aglutinadas não só em regulamentações, as quais independem dos compromissos individuais, com essa possível mudança, pois suas resistências encontram-se nas estruturas da própria sociedade, que sempre foram descriminativas, portanto, segregadoras. Contraditoriamente, é essa mesma sociedade que produz os discursos de inclusão, como uma prática social moralizada, resolvida. Esses discursos não poderão ser entendidos separadamente destas práticas, em suas diferentes correlações de forças e contradições.

Palavras-chave: Inclusão. Discursos. Contradições.

 
* Professor Associado I, do Programa de Pós-Graduação em Educação, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, da Linha de Pesquisa “Educação e Trabalho” e Coordenador dos Grupos de Estudos/CNPq: “Educação, Trabalho e Formação Profissional” e “Investigação Acadêmica nos Referenciais Foucaultianos”.
 
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